Novas esperanças

Adilson Roberto Gonçalves

 

Nesta semana trabalhei 7×0 no Exército do Lula, convocado pelo deputado André Janones. A incursão em massa pelas redes sociais surtiu efeito e o Datafolha da quinta-feira, 22 de outubro, já mostrou o empate em 50% dos votos para cada lado com viés de inversão a favor de Lula. Porém, sabemos que o prognóstico ainda não é suficiente para a garantia do resultado nas urnas. Três semanas atrás, neste espaço, o clamor era para que aquele domingo do primeiro turno trouxesse esperanças, “esperanças domingueiras”, que continuam renovadas para mais um périplo de defesa da democracia.

Os três grandes desafios desta eleição mostrados naquele artigo continuam os mesmos, pois a influência religiosa é gritante, uma vez que líderes das crenças transformaram o púlpito em palanque. A Corte Eleitoral continua manifestando que tem um lado, explicitado pelos dois juízes bolsonaristas que a comandam. A cada dia temos atualizações de decisões que favorecem a candidatura da extrema direita ou que prejudica a de Lula. O TSE tentou tirar o canal Exército do Lula do ar, e, agora, está propondo investigar com detalhes o que lá é postado. E, em terceiro lugar, os EUA continuam monitorando nossas eleições e torcendo para a vitória do capacho Bolsonaro Filho.

No primeiro debate do segundo turno, Flávio Bolsonaro se recusou a revelar seu sigilo bancário e telefônico para refutar a pecha de corrupto que cai sobre si. São muitos os processos e acusações contra ele, mas é o candidato da extrema direita que acusa Lula. O presidente o desafiou a quebrar os sigilos e Flávio apenas o fez depois de muita enrolação e exigências.

O silêncio dos culpados não pode mais existir. Idosos que têm o direito de não mais votar, estão se mobilizando e depositando na urna a esperança de não haver destruição das conquistas sociais e econômicas havidas. Sim, são muitas construções incompletas e imperfeitas, mas temos de manter a chance de completá-las e corrigi-las. Na hipótese de um governo da extrema direita, isso jamais será possível e a noite sombria duraria muitos anos. Alarmismo? Não, apenas conhecimento de história recente do que aconteceu em 1964 e nos anos seguintes.

Mas há os que se escondem, independente de terem pouca oportunidade de estudo ou serem professores universitários doutores. A falsa equivalência que defendem entre Lula e Flávio Bolsonaro não é questão de gosto, é questão de índole. Cuidemos, pois eles continuarão entre nós. Um primeiro fruto desse processo eleitoral foi o de revelar quem realmente são os que defendem uma candidatura da família Bolsonaro e tudo o que ela representa. Constato que ninguém que me é querido votou, vota ou votaria em um Bolsonaro. Também ninguém que possui capacidade intelectual e um mínimo de bom senso social votaria na família de milicianos. Ninguém. Os que votam o fazem por semelhança aos criminosos que estão elegendo. Caso tenham feito por desconhecimento do que está sendo explicitamente mostrado, têm a oportunidade agora, no segundo turno, de rever sua posição e votar pela verdade e pela dignidade. A virada já está em curso! Que se consagre o 25 de outubro como o Dia Nacional da Democracia, em homenagem a Vladimir Herzog que morreu assassinado nos porões da ditadura nessa data em 1975.

 

Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp – Rio Claro

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