Olhar os nenúfares faz bem à alma

Eloah Margon

 

Quem transitava com veículos automotores ou bicicletas pela Avenida Jaime Pereira, logo após a área de skate além da prefeitura via, no meio da correria diária, o acolhedor laguinho com nenúfares. No calor, com sol tórrido as folhas e flores murchavam, que dó! Depois chovia e as plantas ganhavam nova e alegre vida; os transeuntes também adquiriam momentaneamente fôlego novo ao vê-las. Mas isso foi antes. E não é de estranhar que a atual gestão nos tire a todos com tanta facilidade, a vista acalentadora a qual nem mesmo num carro alto, agora, nossos olhos conseguem alcançar a partir da avenida. Mas para a referida gestão não é absolutamente o que importa.

Finita. Fechada, a beleza do lago e mesmo das árvores já foi escondida pela desagradável mureta, e pelo gradil a ser colocado posteriormente. Alguns cidadãos até temem que venha um tipo de muro. Falam amedrontados à boca miúda, fantasiando esse tal muro da pouca sensibilidade e da nenhuma vergonha. Desta indigestão se espera tudo; cólica biliar impingida mesmo a quem não a escolheu, mas tem de engolir à força.

Possivelmente a gestão da cidade faça a vedação também com propósitos higienistas, pois não deseja moradores de ruas e andarilhos naquela região. Concordamos que não é bom, e resolver isso seria simples com trabalho de assistentes sociais, apoio aos que lá estiverem alguma iluminação a mais, e guardas, vigias em caráter permanente.

Mas essas, acima, não foram as decisões do executivo. Então, pessoalmente creio que o muro, em termos energéticos e vibracionais, já foi erigido faz tempo. Barreira que só traz mal estar e tristeza à cidade.

Há muito abandono, destruição e desrespeito aqui. Mas, fico pensando, tantos lugares tiveram seus azares, pragas e desastres… Nossa pobre Piracicaba parece que não escapou dessa vez.  E pior, por nossa culpa, nossa culpa, nossa máxima culpa.

 

Eloah Margon, médica

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