
Reunião na Casa dos Conselhos destacou aumento de casos nas escolas e necessidade de fortalecer ações de combate à discriminação
Representantes do movimento de promoção da igualdade racial e membros de conselhos municipais se reuniram na Casa dos Conselhos de Piracicaba na terça-feira (02) para discutir o enfrentamento ao racismo no município e cobrar maior agilidade na inserção da cidade no programa Cidades Antirracistas.
Entre os participantes do encontro esteve o diretor do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região (SindBan), Marcelo Abrahão, que integra o Conselho e acompanha as discussões voltadas à promoção da igualdade racial e ao combate à discriminação.
Durante o encontro, os participantes manifestaram preocupação com a lentidão no andamento do processo de adesão ao programa, considerado uma importante ferramenta para a implementação de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e ao combate à discriminação.
Outro tema que chamou a atenção dos conselheiros foi o aumento dos casos de racismo registrados em Piracicaba, especialmente no ambiente escolar. Segundo os participantes, as denúncias envolvendo discriminação e preconceito têm se tornado cada vez mais frequentes, exigindo ações educativas e preventivas mais efetivas.
Além da discussão sobre os desafios enfrentados pelo município, o grupo destacou o trabalho permanente de capacitação dos membros do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba (Conepir). A formação continuada busca preparar os conselheiros para realizar palestras, debates e intervenções qualificadas em diferentes espaços da sociedade, ampliando a conscientização sobre o combate ao racismo e a valorização da diversidade.
Para os participantes da reunião, o crescimento dos casos de discriminação está relacionado, entre outros fatores, à formação social e familiar. A avaliação é de que o respeito às diferenças deve ser ensinado desde a infância, dentro de casa, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Também foi debatida a necessidade de fortalecer os mecanismos de responsabilização dos autores de práticas racistas. Os conselheiros apontaram que muitas vítimas ainda encontram dificuldades para registrar e encaminhar denúncias, relatando situações em que os casos acabam sendo minimizados ou desconsiderados pelos órgãos responsáveis.
Nesse sentido, o Conepir reforçou a importância de que os casos de racismo e discriminação sejam formalmente registrados por meio do serviço 156 da Prefeitura de Piracicaba. Segundo os conselheiros, é a partir dessas denúncias oficiais que o Conselho pode acompanhar os casos, cobrar providências dos órgãos competentes e oferecer suporte institucional às vítimas.
Sem o registro formal, muitas situações acabam restritas à relação entre agressor e vítima, dificultando a atuação do poder público e dos mecanismos de controle social.
Diante desse cenário, o grupo reforçou a importância de ampliar o diálogo com a sociedade, fortalecer as políticas públicas de igualdade racial e garantir que as denúncias recebam o tratamento adequado por parte das autoridades competentes. O Conselho também destacou a necessidade de divulgar amplamente os canais de denúncia, incentivando a população a registrar os casos para que eles possam ser devidamente acompanhados.
Os participantes reafirmaram o compromisso de seguir atuando na conscientização da população e na defesa de medidas efetivas para combater o racismo em todas as suas formas, especialmente nos espaços educacionais, onde a formação cidadã das novas gerações desempenha papel fundamental na construção de uma cultura de respeito, inclusão e igualdade.
A inclusão fortalece o papel institucional do Conepir e orienta claramente a população sobre o uso do 156 como porta de entrada para que o Conselho possa atuar.