Paulo Campos
Neste 1º. de Maio, quando simbolicamente comemoramos o “Dia do Trabalho”, gostaria de compartilhar com os leitores desse jornal, um pouco de minha trajetória profissional até aqui, aos 46 anos de idade. No título, relembro frase famosa do então presidente da República, Getúlio Vargas, que invariavelmente iniciava seus discursos públicos e também no rádio, veículo predominante na época, com esta frase. “Trabalhadores do Brasil”, lida com toda ênfase e pompa. Aquele era o seu público favorito. Fazia o possível e o impossível para que suas ações governamentais priorizassem os trabalhadores que mais precisavam do governo em áreas como saúde e educação. Hoje, o termo “trabalhadores” tem sido vulgarizado na nossa política.
Mas, vamos a minha história de lutas, dificuldades e até aqui, de muito trabalho e êxito.
Um pouco da minha história
Meu nome é Paulo Roberto Campos, nasci no dia 27 de março de 1980, no Jardim Novo Horizonte em Piracicaba, onde resido até hoje. Sou filho de Francisco Rodrigo de Campos, já falecido e Maria José Camargo de Campos, hoje com pouco mais de 90 anos. Tenho sete irmãos, sou o terceiro dos filhos, pela ordem Fernando Rodrigo de Campos, Evandro Antônio de Campos, Iara Aparecida de Campos Bueno, Tatiane Isabel Camargo de Campos, Leticia Maiara de Campos e Alicia de Campos, essa última filha adotiva dos meus pais. Sou casado com Maria Daniela da Silva de Campos e temos um filho, Francisco Aparecido de Campos Neto, em homenagem ao meu velho e querido pai.
Sempre morei com minha mãe e depois de casado, numa casa de fundos que construímos lá com ela entre 1980 até 20132. Das minhas lembranças com meu velho pai, lembro-me que tinha apenas oito anos quando ele sofreu um acidente. Era vassoureiro, mas o acidente que teve foi ajudando um amigo e vizinho e amigo dele a construir um muro, que desabou. Ele ficou durante cinco anos, até 1993 sem poder trabalhar. E naquele período, nunca perdeu sua mania de fumar cigarros. Quando não tínhamos dinheiro para isso, ele pedia a mim e aos meus irmãos, para irmos buscar bitucas de cigarros usados nos bares nos arredores de nossa casa. Desmanchava e refazia. Foi um fumante inveterado. Ele morreu ainda jovem, com 47 anos, de câncer no pulmão, certamente por conta dos cigarros.
Com ele aprendi a ser corintiano e ficávamos nas madrugadas da vida assistindo corridas de Fórmula 1 na televisão de casa. Víamos também muitas lutas do Mike Tyson, de quem ele era fã. Era o meu melhor amigo e guardo dele muito carinho e saudades. Ele também gostava muito de política, foi eleitor do Mário Covas e do José Serra.
Minha mãe também sempre lutou muito para manter o nosso sustento em casa, ela apanhava algodão e levava junto com ela, todos os dias, minha irmã Iara, que ficava nas costas dela enquanto trabalhava. Não tínhamos creches na cidade no nosso bairro. Também cortou muita cana na Usina Santa Helena, durante 15 anos. Naquela época eu ainda era muito pequeno, tinha uns quatro anos. Foi ela quem me ensinou de gostar muito de arroz com feijão, bife acebolado e ovo. Não bebo álcool e nunca fumei.
Mas desde então incentivava eu e os meus irmãos a estudarmos. Hoje o Evandro também se formou em direito pela UNIMEP e minha irmã Iara formou-se em pedagogia no Colégio Poli Brasil, onde atua profissionalmente. E meu filho, muito disciplinado, está no 4º ano do ensino fundamental, é muito estudioso também. Meu sonho é que ele seja médico, mas não posso sonhar o sonho dele.
Eu e meus irmãos começamos a trabalhar muito cedo, para ajudarmos nossa mãe. Comecei a trabalhar no lixão do meu bairro, entre 1988 a 1994, eu ficava na parte de separação de material reciclável, papelão, papéis, vidros, latas. Tínhamos uma cooperativa de recicladores, na qual minha mãe também trabalhava. Outro dos meus irmãos, o Fernando, tinha um carrinho e andava pela cidade recolhendo papelão, que depois trazia para o nosso reciclador. Dele há uma história importante a registrar. Certa vez, encontrou-se com uma professora de geografia da escola do nosso bairro. Envergonhado por ter sido visto catando papelão na rua, ele disse para minha mãe que não iria mais estudar. Minha mãe acabou indo na escola e conversou com a professora Mara, de geografia, que confirmou o encontro com ele, mas, ao contrário do que ele pensou, ela ficou orgulhosa de vê-lo trabalhando para ajudar no sustento de minha mãe e irmãos. Depois que soube da visão dela sobre o seu trabalho, ele voltou para a escola acidente no reciclador la do nosso bairro, em 1997 e perdi parte de um dos dedos da mão esquerda. Fiquei um ano parado e foi nesse período que meu pai faleceu.
Lá no lixão a convivência entre todos era fraterna, todos estávamos no mesmo barco. Dividíamos as misturas das nossas marmitas, as vezes um tinha mais, outro menos e íamos construindo nossa solidariedade. Ninguém era mais do que ninguém por lá. Assim que me recuperei, comecei a entregar Curriculum em empresas, para ver se conseguia emprego. E em 1998, fui contratado como operador de logística na Caterpillar, onde atuei profissionalmente até 2008.
Sempre gostei de futebol e joguei num time que se chamava Força Jovem lá do Novo Horizonte, mas era reserva do segundo time, como quarto zagueiro, embora fosse magro e alto, com 1,96 de altura e chuteira 44, camisa sempre tamanho GG, até no futebol e muito voluntarioso. Mas só marquei um gol na vida. A bola bateu no meu joelho dentro da área, num jogo contra o Jaraguá, em 2004. Meu apelido era Paulinho… veja só, alto e magrelo… Foi minha maior alegria. Eu também ajudava a organizar o ônibus que nos levava para os campos de várzea da cidade. Como já trabalhava, tinha sempre um pouco mais de dinheiro disponível para ajudar os amigos naquelas ações.
Outro ponto de referência para todos nós no bairro foi a Casa do Amor Fraterno, dirigida pela Elenice D ´Abronzo, grande figura humana, onde também aprendi a força e importância da solidariedade num bairro cuja maioria dos moradores era, como eu, de origem humilde, trabalhadora e honrada. Foi por lá também que em 2006, comecei a apurar minha percepção sobre a política, a partir de cursos de educação popular, oferecidos pelo amigo João Manuel dos Santos. Foi por lá que iniciei minha educação e a tomar gosto pela atividade política.
Fui eleito e reeleito vereador em nossa cidade e agora estou trabalhando como assessor parlamentar do deputado federal Paulo Pereira, o Paulinho da força, no Congresso Nacional.
Lixão, Caterpillar, Vereador, Advogado formado, com escritório estabelecido em Piracicaba, já fui candidato a deputado federal e prefeito em nossa cidade, agora espero estar sentado no próximo ano numa das cadeiras da Câmara dos Deputados em Brasília. O filho de Francisco e Maria José poderá escrever outro capítulo de sua trajetória pessoal com mais essa conquista. E voltar a representar Piracicaba e região, com dignidade e honradez.
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Paulo Campos (SD), ex-vereador, pré-candidato a deputado federal