
O presidente do Instituto Sindical de Piracicaba, entidade que representa cerca de 200 mil trabalhadores da ativa e aposentados, Wagner da Silveira, o Juca dos Metalúrgicos, que também é o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Rio das Pedras e Saltinho, diz que a palavra de ordem neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, é a defesa da redução da jornada de trabalho. Para ele, passou da hora de ser estabelecida no país, a redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários e da renda do trabalhador brasileiro, “uma vez que se faz necessário dar mais qualidade de vida a quem atua diariamente para gerar a riqueza do país, convivendo com a modernidade e com as pressões diárias”.
Juca lembra que a última redução da jornada de trabalho no Brasil foi assegurada na Constituição de 1988. “Portanto, já faz quase 40 anos que conseguimos a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas. No entanto, nestas quase quatro décadas, ocorreu uma grande transformação tecnológica mundial, em que somente o setor produtivo se beneficiou, enquanto a classe trabalhadora continua sendo penalizada, com a mesma jornada de trabalho e, pior, sobrecarregada pelo excesso, em sua maioria, de informações, o que amplia o estresse e consequentemente as doenças psicossociais, afetando o dia a dia do trabalhador brasileiro”, diz.
É dentro desta nova conjuntura em que a tecnologia avança a passos largos que o presidente do Instituto Sindical de Piracicaba diz que passou da hora de a nação brasileira, representada pelos poderes constituídos, tomar medidas voltadas a garantir novas condições de trabalho para a classe trabalhadora. “Tramitam no Congresso Nacional propostas de redução da jornada de trabalho para quarenta horas semanais, assim como o fim da escala de trabalho 6 x 1. São propostas que precisam ser bem discutidas com os diversos setores da sociedade, mas o fato é que é necessário avanços, até porque o trabalhador brasileiro vem sendo penalizado com o excesso de trabalho, que não é apenas da força física, como foi no século passado, mas mental e isso provoca sérias consequências em que se refletem tanto no seu dia a dia como acaba sobrando para a própria sociedade pagar esta conta, que só aumenta”, ressalta.
O movimento sindical brasileiro, como destaca Juca dos Metalúrgicos, levantou a bandeira da redução da jornada de trabalho neste primeiro de maio, sem redução dos salários. “Há praticamente um consenso de que é preciso garantir mais qualidade de vida aos trabalhadores brasileiros e nesta luta, os nossos sindicatos, filiados ao Instituto Sindical de Piracicaba, também empunham esta bandeira, não à toa, mas porque é preciso valorizar e respeitar quem vende a sua força de trabalho e, nos últimos anos, teve poucos avanços e muitas cobranças, inclusive com metas abusivas e uma jornada de trabalho que envelheceu e precisa ser urgentemente ser rediscutida e aplicada para assegurar mais tempo para o descanso, o lazer e o convívio social aos trabalhadores brasileiros”, completa.