Especial – Semana da Criança na Escola Geny

Alunos da professora Lavínia de Souza e da professora Creusa

 

Lavínia de Souza

 

A saudade da sala de aula e dos alunos era muito grande quando me aposentei. Hoje, lembro-me de momentos especiais, nos que pudemos, eu, os alunos, também meus colegas professores e funcionários, desenvolvermos projetos diferenciados, além do letramento.

Foi assim que, em 2005, propus fazermos, a princípio, um projeto de educação do consumidor e confeitaria com meus alunos. Eu pensava numa escola em que os pequenos aprendessem a viver na prática, que se tornassem, logo cedo, independentes, cuidassem de seus pertences, soubessem cozinhar, aprendessem como se cuida de uma casa.

Nós conversávamos, sempre achei importante conversar e dar espaço para os alunos de contarem o que faziam fora da escola. Então, naquele ano, propus fazermos um projeto para a Semana da Criança, com todos da escola. Nós iríamos fazer bolos, confeitá-los, e ensinar para os colegas das outras salas.

Era a ampliação do projeto Educação do Consumidor e Confeitaria, que fiz com os meus alunos do reforço escolar. Organizei aulas teóricas e práticas, em que a receita de um bolo, por exemplo, os ensinava matemática, ciências, leitura, compreensão de textos.

Eu até pensara de termos um laboratório de nutrição, um pouco daquele que tive no meu curso de Economia Doméstica, na ESALQ, de Piracicaba. Um laboratório com equipamentos domésticos, onde experimentássemos receitas, onde pudéssemos desenvolver projetos em educação alimentar.

O nosso laboratório seria um lugar de aprendizagem, onde os pequenos teriam noções de higiene, como lidar com os utensílios, planejar refeições, cardápios para reeducação alimentar, degustação de receitas.

Não pude ver isso acontecer, não sei se na rede municipal existe alguma escola que desenvolva um projeto com essa amplitude, com um espaço físico adequado, preparado para essa função.

Na minha escola, usávamos uma sala de multiuso para as aulas, preparo das receitas e, para a cocção delas, existia a casinha dos funcionários, onde tinha fogão, batedeira, liquidificador, panelas, etc., tudo meio improvisado.

Penso que, em muitas escolas, o jeitinho, a improvisação continua, como se Educação não fosse prioridade de uma nação, de um projeto de governo.

Pois bem, naquele ano, a nossa escola teve uma Semana da Criança muito doce! Alunos representantes foram treinados e passaram a me auxiliar nas aulas práticas que fizemos em todas as salas de aula.

E a cozinha principal, a que preparava as refeições dos nossos alunos, a que já estava terceirizada (onde uma empresa prestava serviço à prefeitura, onde os funcionários não pertenciam ao quadro dos servidores públicos), como se fosse um organismo à parte da escola, nos deu autorização para assar os nossos bolos.

Há 20 anos atrás, nesses dias que foram tão especiais, senti que poderíamos, juntos, ter uma escola diferente, integrada realmente.

Nós temos muito a construir ainda, de lutar por uma Escola que acolha, que desperte a criatividade, que integre todos da comunidade escolar.

Ah… como foi bonito de se ver e viver aqueles dias!

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Lavínia de Souza, economista doméstica e pedagoga.

 

 

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