O desejo do praticante se sentir popular, poderoso, temido é o motivador do bullying, o que explica as repetidas humilhações que faz à sua vítima. Isso evidencia o componente sádico de seus instintos e o gozo ao subjugar o outro. Por outro lado, denota uma dificuldade em lidar com frustrações de forma civilizada.
Para o Dr. Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapa), “o autor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar na qual tudo se resolve pela violência verbal ou física e ele reproduz isso no ambiente escolar”.
Tal ambiente é também social e por isso favorece o fenômeno. A pessoa que o pratica deve buscar ajuda, para evitar que sua agressividade se perpetue na vida adulta.
A existência de plateia é determinante para o bullying. Ela estimula o praticante apenas por testemunhar, o que supostamente legitimaria o lugar de poder. Por temer o bullying muitas vezes o espectador não toma partido e adota uma postura passiva diante dos fatos. Mas há o espectador que participa com torcida, risos, palavras de incentivo ao opressor, encarando a prática como parte do ambiente escolar. Para a pesquisadora Cléo Fante, “o espectador se fecha aos relacionamentos, se exclui porque acha que pode sofrer no futuro”.
Maravilhas nunca faltaram ao mundo., o que sempre falta é a capacidade de senti-las e admirá-las. (J. Schimidt)
Uma paciente e seu terapeuta, depois de desfeito o vínculo profissional, podem se tornar amigos? Você conhece algum caso? O que pensa sobre isso?
Elis.
É possível desde que após a amizade se iniciar o vínculo profissional não aconteça mais. O profissional deverá manter a ética já que deslizou do plano profissional para o social. Eu não conheço algum caso.
Mas penso que pela nova circunstância em que vivemos sempre existirá um risco. Como em toda amizade, passarão a viver situações comuns com amigos em comum, etc., o que coloca o profissional numa situação de extrema cautela, pois a ele foram confiadas informações sigilosas como profissional, e assim devem se manter. “Dar um fora” (deixar uma informação vazar) é um dos perigos que ambos estarão sujeitos. É bom lembrar que o profissional, seja ele quem for, é um ser humano sujeito às vicissitudes que estamos todos submetidos.
A natureza da relação de amizade é de outra ordem. A posição ocupada é outra, e o que não é permitido profissionalmente, como amigo é e vice-versa. Essa mudança de posições não pode desconsiderar que na história de ambos um teve acesso à vida íntima do outro, assim como agora a ex-paciente passará a ter conhecimento da vida pessoal dele, cabendo-lhe a obrigação de preservá-la para não lhe causar prejuízos profissionais. De resto são duas pessoas, e nada lhes impede a amizade.
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