Serasa – Sudeste concentrou 4,8 milhões de empresas inadimplentes

São Paulo liderou em número de CNPJs no vermelho.CRÉDTO: Divulgação

Em fevereiro, o Sudeste registrou 4.891.242 empresas inadimplentes, segundo os dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao todo, foram contabilizadas 33.304.764 dívidas negativadas na região, que somaram R$ 115,2 bilhões no período.

Entre os estados, São Paulo concentrou o maior número de empresas negativadas, com 3.036.772 CNPJs inadimplentes e R$ 75,7 bilhões em dívidas. Minas Gerais e Rio de Janeiro aparecem na sequência, com 866.050 e 856.462 empresas negativadas, respectivamente. Entre os estados da região, o Rio de Janeiro apresentou o maior ticket médio das dívidas (R$ 3.768,55), enquanto São Paulo registrou a maior dívida média por empresa (R$ 24.951,81).

A inadimplência entre as empresas voltou a subir em fevereiro de 2026 e atingiu mais de 8,8 milhões de CNPJs em todo o Brasil. O resultado representa leve alta em relação a janeiro, mantendo o indicador em um patamar próximo à máxima histórica registrada em dezembro de 2025.

No período, o total de dívidas negativadas chegou a 60,7 milhões, somando R$ 204,6 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possuía cerca de 7 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.216,4 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.370,5.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que “a inadimplência das empresas mantém uma trajetória de crescimento ao longo da série histórica recente, sem sinais consistentes de reversão. O ambiente de crédito permanece restritivo, com custos financeiros elevados e maior seletividade na concessão, o que limita a recomposição de caixa das empresas e sustenta a necessidade de rolagem e alongamento de passivos, mantendo a inadimplência em patamares elevados”.

SETORES – O setor de “Serviços” concentrou 55,4% das empresas negativadas em fevereiro. Na sequência aparecem “Comércio” (32,6%), Indústria (8,1%) e o setor “Primário” (0,9%).

“A maior concentração da inadimplência no setor de Serviços está alinhada à sua relevância estrutural na economia brasileira. O segmento responde por cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) do país e concentra a maior parte das empresas formalmente ativas, o que torna natural sua maior participação no total de empresas negativadas. Ao longo do tempo, a ampliação do peso do setor de serviços no PIB e no número de CNPJs contribui para explicar a elevação gradual de sua participação na inadimplência, sem que isso, necessariamente, indique uma deterioração relativa frente aos demais setores”.

Em relação a origem das dívidas, o maior peso ficou com “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%).

“As dívidas inadimplidas associadas a empresas do setor de serviços estão, em geral, relacionadas a compromissos com fornecedores e a despesas operacionais necessárias à manutenção da atividade. Já a elevada participação de bancos e cartões como origem das dívidas reflete o uso recorrente de crédito e instrumentos financeiros pelas empresas para gestão do capital de giro”, explica a executiva da datatech.

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes, com 4,89 milhões de CNPJs, seguido por Sul (1,49 milhão) e Nordeste (1,17 milhão). As regiões Centro-Oeste e Norte registraram 763 mil e 496 mil empresas inadimplentes, respectivamente. A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões, o que amplia a exposição ao crédito e, consequentemente, a inadimplência. Entre os estados, São Paulo liderou com 3.036.772 empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais (866.050) e Rio de Janeiro (856.462).

MICRO E PEQUENAS EMPRESAS – As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência no país, com 8,4 milhões CNPJs negativados em fevereiro de 2026. O grupo concentrou 55,1 milhões de dívidas e R$ 178,61 bilhões em débitos. Esse porte representou 95,2% das empresas inadimplentes, 90,8% das dívidas e 87,3% do valor total devido. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,6 contas em atraso, com dívida média de R$ 21.294,91 e ticket médio de R$ 3.240,04.

“As micro e pequenas empresas são mais sensíveis ao ambiente de crédito restritivo, pois dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação de prazos e custos financeiros. Com juros ainda elevados e concessão mais seletiva, essas empresas enfrentam maior dificuldade para recompor capital de giro, o que contribui para a persistência da inadimplência nesse segmento”, avalia a economista-chefe.

 

 

 

 

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