Ato – Bebel participa de ato da Apeoesp em solidariedade ao povo cubano

Atividade, realizada na Casa de Portugal, marcou um posicionamento político diante do cenário internacional, com críticas às sanções

 

 

 

A deputada estadual Professora Bebel (PT), primeira presidenta licenciada da Apeoesp, participou nesta segunda-feira, 27 de abril, de um ato de solidariedade ao povo cubano, promovido pela Apeoesp, que reuniu, em São Paulo, dirigentes sindicais, movimentos sociais, lideranças políticas e representantes estudantis, num total de quase 40 entidades, em defesa da soberania de Cuba e contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. A atividade realizada na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, teve como eixo a denúncia das dificuldades enfrentadas pelo país caribenho e a organização de iniciativas concretas de apoio, como arrecadação de recursos, envio de medicamentos e campanhas permanentes de mobilização.

A iniciativa também marcou um posicionamento político diante do cenário internacional, com críticas às sanções e ao que os participantes classificaram como uma política de cerco econômico que afeta diretamente as condições de vida da população cubana. Ao longo do encontro, as falas destacaram a trajetória da Revolução Cubana e o papel do país em ações de solidariedade internacional, especialmente nas áreas de saúde e educação.

A deputada Professora Bebel destacou o caráter político do ato e a necessidade de ampliar as ações. “A questão central é solidariedade”, afirmou. A parlamentar também reforçou a importância de denunciar o bloqueio e defender a soberania cubana em todas as instâncias. “Defendemos o fim imediato das ações contra Cuba e o respeito à soberania e à autodeterminação do povo cubano”, disse.

Bebel apontou ainda caminhos concretos para o fortalecimento da mobilização. “Nós temos condições de fazer esse movimento muito bem feito”, afirmou, ao defender campanhas de arrecadação e iniciativas de cooperação. Ao concluir, destacou o sentido internacional da luta. “Não permitir que os Estados Unidos atinjam qualquer país”, disse, alertando para os riscos de ampliação das políticas de intervenção. Para ela, a solidariedade entre os povos é essencial: “Quando chegar a nossa vez, os outros também vão se levantar pelo Brasil”.

Representando a CUT, o secretário de Administração e Finanças, Ariovaldo de Camargo, enfatizou a importância da solidariedade ativa e da organização permanente. Ele relatou experiências recentes em Cuba e destacou os impactos do bloqueio na vida cotidiana. “Foi possível perceber o que significa o bloqueio econômico criminoso que os Estados Unidos fazem com a população”, afirmou, ao mencionar o contato direto com trabalhadores cubanos.

No ato, a deputada Professora Bebel citou outras intervenções imperialistas pelo mundo como o sequestro de Nicolás Maduro, na Venezuela, e a investida contra o Irã. Sobre a Venezuela, Bebel lembrou que o país é uma das maiores reservas de petróleo do planeta e que Trump provocou a intervenção no país, de olho no recurso natural. Ela também citou as terras raras, fazendo um alerta de que o Brasil detém a segunda maior reserva do mundo e que o mandatário estadunidense está de olho em nossas riquezas.

Embaixador diz que Cuba não é um país fracassado – O ato contou ainda com a presença do cônsul-geral de Cuba no Brasil, embaixador Benigno Pérez Fernández, que recebeu manifestações de apoio e teve sua participação destacada por diversas lideranças.  Em sua fala, afirmou que Cuba não pode ser definida como um país fracassado, mas sim como uma nação submetida a um cerco econômico e político. “Cuba não é um Estado falido. Cuba é um Estado cercado. Cuba é um Estado em guerra econômica, com um bloqueio real, um Estado ameaçado… e, apesar disso, graças ao socialismo, é um Estado que não se rende”, disse.

O embaixador também reforçou o sentido político da resistência cubana e a mensagem dirigida aos participantes do evento de “um mundo melhor é possível”. A intervenção do cônsul deixou latente a denúncia do bloqueio, a defesa da soberania do país e a afirmação de que, mesmo diante das dificuldades, Cuba mantém sua capacidade de resistência.

Já o escritor, ativista político, filósofo, teólogo da libertação, frade dominicano e referência progressista no Brasil, Frei Betto abriu o ato destacando o caráter histórico da solidariedade cubana e situando o momento atual vivido pelo país. Ele afirmou que a mobilização no Brasil também tem um sentido de reconhecimento: “Cuba, a revolução cubana nesses 67 anos se caracterizou por uma única palavra: solidariedade, principalmente com os povos oprimidos e colonizados”, disse.

Frei Betto também ressaltou a atuação internacional de Cuba, especialmente nas áreas de saúde e educação, lembrando o envio de profissionais a diversos países, inclusive ao Brasil. Também destacou a resposta cubana durante a pandemia. “Cuba foi o único país do terceiro mundo que durante a Covid criou cinco vacinas. E por isso, proporcionalmente, é o país do mundo que teve menos vítimas”, afirmou.

Ele ainda definiu o ato como uma forma de retribuição política e histórica ao citar que Cuba tem sido solidária com vários povos do mundo” e também fez uma crítica direta ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, defendendo que ele seja nomeado corretamente. “Não usem a palavra embargo, usem a palavra bloqueio. Bloqueio não, bloqueio é crime”, afirmou. Cuba é o nosso exemplo de luta, de independência, de soberania (…) e lembrem-se: socialismo é o nome político do amor”. No ato, representantes das diversas entidades que participaram do ato ressaltaram que Cuba atravessa “um dos momentos mais difíceis em décadas”, mas segue sendo reconhecida por sua atuação internacional. Entre as citações, a de que Cuba se caracterizou por uma pela solidariedade, por exemplo, pelo envio de médicos e professores a diferentes países e o desenvolvimento de vacinas durante a pandemia.

O papel histórico de Cuba em processos de libertação e cooperação internacional também foi lembrado, por meio de ações em países africanos, como Angola e África do Sul, além da contribuição em programas de saúde no Brasil. Nesse sentido, o ato foi definido como um gesto de “gratidão” e também de compromisso político com a defesa da soberania dos povos.

Outro ponto de destaque foi a denúncia do bloqueio econômico traduzido na necessidade de nomear a política como “bloqueio”, e não embargo, destacando seu caráter ilegal e seus efeitos concretos. “Bloqueio é crime”, afirmou uma das intervenções, ao defender a intensificação das denúncias em nível internacional. Além da crítica, o encontro apontou caminhos práticos de solidariedade. Entre as propostas, estiveram a arrecadação de recursos para envio de alimentos e medicamentos, a organização de campanhas permanentes e a ampliação da mobilização social em defesa de Cuba. A campanha simbólica de contribuição financeira foi destacada como uma forma de engajamento coletivo.

A dimensão internacional da luta também apareceu de forma recorrente, com a situação de Cuba sendo relacionada a outros conflitos e processos políticos no mundo, defendendo a unidade entre os povos e o enfrentamento ao que classificaram como avanço do imperialismo. A solidariedade a Cuba foi apresentada como parte de uma agenda mais ampla de defesa da autodeterminação.

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