A Educação o avaliou — e é farol vermelho para o senhor, Tarcísio de Freitas!

Tiago Fainer

Bom, Governador… desta vez não foi Vossa Excelência quem avaliou a escola. Foi a escola que o avaliou. E o resultado não veio em relatório elegante, nem em planilha colorida de gabinete. Veio da base, do chão da escola, da sala quente, do professor exausto — e o veredito é direto: farol vermelho. A APEOESP, o maior sindicato da América Latina, organizou consultas e avaliações que expressam o sentimento da categoria. Em uma dessas iniciativas, o resultado é contundente: ampla rejeição às políticas da Secretaria da Educação, com índices massivos de reprovação por parte dos professores e de toda a comunidade escolar. Não se trata de detalhe, tampouco de ruído — é diagnóstico. E o diagnóstico aponta para um processo contínuo de ataques.

Estamos tratando de uma política que naturaliza deixar cerca de 40 mil professores sem aulas — ou seja, sem trabalho e sem salário. Estamos tratando de regras que punem professores adoecidos, as quais chegaram a ser barradas pela Justiça por seu caráter punitivo. Estamos tratando de mudanças na carreira e na avaliação impostas sem diálogo, denunciadas como autoritárias e baseadas em critérios subjetivos. E o diagnóstico aponta para um processo contínuo de ataques. E não se encerra por aí.

Há um processo claro de precarização: pressão constante, ambiente de medo, assédio moral institucionalizado. Uma lógica de metas irreais que desce em cascata — da Secretaria para dirigentes, dos dirigentes para os supervisores, dos supervisores para diretores, dos diretores para professores — criando uma cadeia de cobrança que não educa, apenas adoece. A plataformização do ensino surge como símbolo máximo dessa distorção. Milhões são investidos em sistemas, aplicativos e soluções digitais, enquanto o básico ainda falta. Falta estrutura. Falta ventilação. Falta climatização. Falta merenda. Falta dignidade. E sobra tela.

Ao mesmo tempo, o governo tenta atenuar a situação com bônus que não enfrentam o problema estrutural — uma espécie de compensação simbólica para conter a insatisfação crescente, mas que não resolve salário defasado, jornada exaustiva e condições indignas de trabalho. E, em meio a tudo isso, há ainda a tentativa de fabricar resultados: escolas pressionadas, supervisores coagidos a apresentar números, metas irreais sendo tratadas como parâmetro de qualidade. Uma pedagogia do número, não do conhecimento. Uma ilusão estatística para ocultar o colapso cotidiano. Contudo, a educação resiste.

Resiste porque é feita de pessoas. De professores que chegam antes, que permanecem depois, que adquirem material com recursos próprios, que sustentam a escola quando o Estado falha. Resiste porque é movimento — e movimento popular, como sempre foi. E é nesse ponto que se faz necessário afirmar: há luta organizada.

A Deputada Estadual Professora Bebel, que também construiu sua trajetória no sindicato, tem sido linha de frente nesse enfrentamento, denunciando medidas autoritárias, judicializando abusos e dando voz à categoria dentro e fora da Assembleia Legislativa. Junto à APEOESP, mantém viva uma tradição histórica de organização e resistência em defesa da escola pública.

Porque, ao final, a questão é simples:

Não há plataforma que substitua o professor.
Não há meta que substitua a aprendizagem.
E não há gestão que sobreviva ignorando aqueles que fazem a educação acontecer.

Governador, a educação o avaliou.

E, desta vez, não há recurso administrativo que reverta tal resultado. É momento de Vossa Excelência buscar novos caminhos e levar consigo o Secretário Feder.

É farol vermelho.

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Tiago Fainer é professor da Rede Estadual Pública, coordenador do Cursinho Paulo Freire e do Fórum Estadual de Cursinhos Populares

 

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