CRAM – Auxílio-aluguel oferece proteção e autonomia para mulheres

Após viver situação de violência, T.V.S recebe o auxílio-aluguel e é acompanhada pelo CRAM. CRÉDITO: Divulgação

 

Gratidão e esperança são as palavras escolhidas por T.V.S. (nome fictício) para resumir o sentimento que tem hoje pela vida. Mas, até chegar aqui, o caminho foi difícil. Em agosto de 2025, em meio a uma situação de violência e fragilidade emocional, ela encontrou acolhimento no Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) – serviço público da Secretaria de Assistência, Desenvolvimento Social e Família, que presta atendimento a mulheres em situação de violência doméstica e é executado por meio de Chamamento Público em parceira com a OSC – Cesac (Centro Social de Assistência e Cultura São José).

“Foi ali que senti que não estava sozinha”, relembra. Sem apoio e enfrentando dependência financeira, T. precisou lidar não apenas com o impacto da violência, mas também com a insegurança de recomeçar. “Recomeçar sozinha é muito mais difícil. Eu me vi sem chão, com problemas psicológicos e sem saber como seguir”, conta. A dificuldade chegou a afetar necessidades básicas: durante um período, ela fazia apenas uma refeição por dia para conseguir se manter ao longo do mês. “Foram semanas assim. Perdi 13 quilos nessa época”, relata.

O cenário começou a mudar quando, por meio do CRAM, ela teve acesso ao auxílio-aluguel, benefício concedido pelo Governo do Estado de São Paulo para mulheres em situação de violência, que a Prefeitura de Piracicaba aderiu em agosto de 2025 pela primeira vez.

Desde dezembro, ela passou a receber R$ 500 mensais. “Quando o auxílio veio, eu só pensava que ia conseguir me alimentar direito”, diz. O recurso ajudou não apenas com a moradia, mas também com despesas essenciais, como alimentação e medicação, além de evitar a perda do imóvel onde vive. Mais do que o valor financeiro, o benefício trouxe segurança e autonomia. “Hoje eu tenho mais força para falar, para não me silenciar. Isso faz a gente ver que vale a pena recomeçar”, afirma.

Determinada a seguir em frente, ela deixa uma mensagem para outras mulheres: “Mesmo com toda dificuldade, eu não aceito mais a violência na minha vida. Busquem um trabalho, um esporte, uma religião, e quem possa ajudar. Cuide de você. Há esperança”.

Para o secretário de Assistência Social, Desenvolvimento e Família, Edvaldo Brito, o benefício tem papel essencial no enfrentamento à violência. “Não é apenas um apoio financeiro. É uma política que rompe o ciclo da violência e salva vidas. É fundamental que toda mulher saiba que não está sozinha. Existe uma rede que está preparada para acolher e proteger”.

Para a coordenadora do CRAM, Fabiana Menegon, histórias como a de T. mostram o impacto da política pública na vida das mulheres. “Cada realidade é única. Ouvir esses relatos e acompanhar a persistência dessas mulheres faz a gente perceber que o auxílio vai além do financeiro: ele traz um respiro, um acalanto, para que elas possam seguir”, destaca.

Em Piracicaba, atualmente, 32 mulheres recebem o auxílio-aluguel. Destas, 15 já estão com o benefício prorrogado, enquanto outras 15 aguardam análise após envio do requerimento. Renata Sartore, da Coordenação de Gestão de Benefícios, explica que a prorrogação é concedida quando a mulher ainda se encontra em situação de vulnerabilidade e risco, permitindo a continuidade do benefício por mais seis meses, mediante avaliação técnica da Assistência Social. A Prefeitura realiza o acompanhamento contínuo dos casos e mantém articulação com a rede intersetorial para ampliar o acesso ao benefício, garantindo proteção, autonomia e condições para que essas mulheres possam recomeçar suas vidas com mais segurança.

Podem solicitar o auxílio mulheres que residam no Estado de São Paulo, possuam medida protetiva expedida pela Lei Maria da Penha, tenham renda familiar de até dois salários mínimos até a separação do agressor, comprovem situação de vulnerabilidade e estejam inscritas no CadÚnico (Cadastro Único).

COMO SOLICITAR – O atendimento deve ser feito nos serviços da Secretaria de Assistência, Desenvolvimento Social e Família, como CRAS, CREAS ou no próprio CRAM, que realizam acolhimento, avaliação técnica e encaminhamento.

O CRAM – Centro de Referência de Atendimento à Mulher fica na R. José Ferraz de Camargo, 222 – São Dimas. Contato: (19) 3374-7499;

CRAS São José, Rua dos Patriotas, 1.333, WhatsApp: 19 99755-4562;

CRAS Jardim São Paulo, Rua Prof. Felinto de Brito, 366 – Jardim São Paulo. WhatsApp: 19 99752-7296;

CRAS Mario Dedini, Av. Luís Ralf Benatti, 1400 – Mário Dedini. WhatsApp: 19 99753-3016;

CRAS Novo Horizonte, Avenida Frei Francisco Antonio Perin nº 925– Novo Horizonte. WhatsApp: 19 99753-1825;

CRAS Piracicamirim, Rua Leontino Boscariol, 50 – Piracicamirim. WhatsApp: 19 99753-3878;

CRAS Vila Sônia, Rua Padre Otto Andreas Josef Wolf, 720 – Vila Sônia. WhatsApp: 19 99755-0337;

CREAS I, Rua Coronel João Mendes Pereira Almeida, n° 232, Nova América. Contato: (19) 3435-1973/3432-1712;

CREAS II, Rua Antônio Cobra Filho, n° 405, Jardim São Vicente II, Distrito de Santa Teresinha. Contato: (19) 3413-1707/3413-4135;

CREAS III, Rua Manoel Correia de Arzão,133, Parque Nossa Senhora das Graças. Contato: (19) 3425-3550/3425-3764.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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