Mais empatia, por favor

Ana Carolina Miotto

 

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir o que a pessoa está sentindo. Por meio dela, conseguimos, muitas vezes, enxergar uma realidade que não é nossa, furar a bolha existencial, expandir a mente. Em termos simples, é “andar com os sapatos do próximo”, vivenciar suas experiências e sua dor.
É um sentimento magnífico que, se disseminado amplamente, salvaria vidas em larga escala, evitaria catástrofes e tornaria a sociedade um ambiente muito mais saudável.
Afinal, uma pessoa empática jamais seria homofóbica. Como alguém capaz de se colocar no lugar de uma pessoa que já sofreu com homofobia poderia ter qualquer tipo de preconceito ou receio em relação a um sentimento tão lindo como o amor, seja ele na forma que for?
Como poderia haver racismo se todos entendêssemos o peso dessa questão social? Se fossemos capazes de nos olharmos nos olhos e realmente nos enxergarmos como seres humanos iguais, irmãos, independentemente de cor de pele ou etnia? E mais, se sentíssemos a dor do preconceito na nossa alma, a dor de sabermos que, por séculos, nossa história e cultura foram apagadas, nossos antepassados escravizados, nossa religião demonizada, nossa beleza rechaçada? Imagine se tivéssemos noção dessa dívida histórica?
Como poderia haver machismo se todos pudessem sentir a dor de uma mulher que luta há anos para empoderar-se nessa sociedade patriarcal que bate recorde de feminicídios a cada dia?
Como alguém capaz de se emocionar com o brilho das estrelas, com o cheiro da terra molhada depois de uma tarde chuvosa, com a imensidão das florestas ou a força das ondas do mar teria coragem de maltratar algum animal ou ferir o meio ambiente?
Uma pessoa empática jamais perguntaria o tamanho da saia de uma vítima de abuso sexual. Um policial empático jamais abriria fogo na favela, em lugares com crianças. Um líder político empático jamais iniciaria uma guerra. Um segurança empático não seguiria pessoas negras pelo shopping. Em uma sociedade de pessoas empáticas não haveria gente passando fome, moradores de rua literalmente morrendo de frio ou guerras sem sentido.
Acredito que estamos todos tão focados em nós mesmos, preocupados em formar opiniões superficiais sobre tudo para comentar no Facebook, que perdemos a capacidade de simplesmente olhar para o lado, ouvir o outro, entender sua realidade, suas vivências e sua dor. Ouvimos para responder, não para realmente escutar. É muito julgamento e pouca compaixão. Não precisamos de muito para salvar o mundo, apenas empatia e um pouco mais de amor ao próximo.

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Ana Carolina Miotto, graduada em Jornalismo, e pós-graduada no MBA em Gestão de Mídias Digitais pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Atuou como assessora de imprensa em instituições como USP/Esalq; Simespi, pelo Engenho da Notícia, e Grupo Sublimação – Arte e Psicanálise

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