Como o Espiritismo explica o fenômeno da segunda morte?

Alvaro Vargas

 

No Espiritismo, o fenômeno conhecido como “segunda morte” tanto tem sido utilizado para referir-se à perda provisória do formato do corpo espiritual, como no processo de ovoidização, como na sublimação do corpo fluídico, devido à evolução do espírito. Embora nosso espírito seja eterno, o corpo espiritual pode sofrer muitas alterações durante o processo evolutivo. Conhecido como corpo fluídico, perispírito e psicossoma, esse corpo espiritual é uma espécie de envoltório semimaterial que liga o espírito ao corpo humano, “cuja formação está relacionada com o grau de adiantamento moral do indivíduo” (A gênese, cap. XIV, Item 9, Allan Kardec). Quanto mais o espírito se purifica, mais eterizada se torna a essência do seu perispírito. Além da influência desse processo evolutivo, a constituição do psicossoma também é afetada pelas características do mundo habitado (Livro dos Espíritos, Q.257, Allan Kardec).
Segundo Allan Kardec (Livro dos Médiuns, Q.56), “o corpo espiritual tem a forma humana, mas não a tenacidade e a rigidez da matéria compacta do corpo físico, podendo por isso, expandir-se ou se contrair”. A ovoidização, quando ocorre, é considerada um dos maiores sofrimentos do espírito após a morte. “A estrutura perispiritual do psicossoma se desfigura completamente, desfazendo a conformação humana, adquirindo o formato aproximado de um ovo, cujas dimensões se aproximam de um crânio infantil. O processo em tudo se assemelha aos das bactérias que se encistam diante de condições adversas de vida, aguardando novas oportunidades para retornar a vida normal, sendo os suicidas os candidatos prováveis para adquirirem essa enfermidade. É um processo incurável no plano espiritual, somente sendo revertido em reencarnação expiatória” (Ícaro Redimido, cap. 2, Adamastor e Gilson Freira). Além daqueles que cometeram o autocídio, inúmeros espíritos após a desencarnação, infelizes e revoltados pelas experiências vivenciadas na Terra, ao desenvolverem uma fixação mental apenas na ideia de vingança ou de paixão doentia, podem iniciar esse processo de ovoidização. O espírito André Luiz (Evolução em Dois Mundos, cap. XV, Chico Xavier e Waldo Vieira), cita que esses espíritos envolvem sutilmente aqueles que se lhes fazem objeto da calculada atenção e, auto hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideística, provocando enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, assemelhando-se a ovoides.
É uma situação diferente dos espíritos missionários que galgaram planos mais altos, em razão de elevados títulos na vida superior e perderam o veículo perispiritual (Libertação, cap. 6, André Luiz, Chico Xavier). Entendemos que essa vestimenta fluídica possa, na verdade, tornar-se mais tênue, pois “existem mundos habitados por espíritos puros que não necessitam de um corpo material, e vivem apenas envolvidos pelo perispírito; esse envoltório é de tal forma etéreo, que para nós é como se não existisse” (Livro dos Espíritos, Q.186, Allan Kardec). Além do psicossoma, temos o corpo mental, que mantém a nossa individualidade e permite a ascensão do espírito na erraticidade aos planos espirituais mais elevados, conforme relatado pelo espírito André Luiz (Nosso Lar, cap. 36, Chico Xavier). Jesus, espírito puro que coordenou a formação de nosso planeta há 4,5 bilhões de anos, conseguiu encarnar na Terra. Ele, nosso irmão e Mestre, governador espiritual de nosso orbe terreno, muito embora toda a elevação que atingiu, necessitou do perispírito, matriz do corpo físico na encarnação que teve em uma gestação similar a nossa. Após a sua crucificação, o seu perispírito foi visto materializado por vários de seus seguidores, utilizando os recursos mediúnicos dos apóstolos.

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Alvaro Vargas, Eng. Agrônomo-Ph.D., presidente da USE-Piracicaba, palestrante e radialista espírita

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