Resposta à Carta Aberta aos Servidores do Município

Lilian Lacerda

 

Com a decisão de entrarem em greve na próxima sexta-feira (01/04), os servidores da rede municipal se depararam na manhã desta quinta-feira (30/03) uma carta aberta no portal do servidor cujo conteúdo ataca o sindicato e expõe de forma covarde os professores. O texto apresenta pontos de coação quando soma as perdas de dias parados e ao expressar apoio aos servidores que não são a favor da greve.
O conteúdo da carta depõe contra o direito previsto na legislação art. 9º e 37, XV, da Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei nº 7.783/89, com as devidas adaptações do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mais um motivo da indignação pauta-se na falta de esforço do poder executivo, já que é público que o município fechou o ano de 2021 com R$ 1,05 bilhão em caixa e metade do texto é gasto na tentativa de convencer o servidor que a atual gestão não possui recursos para atender o reajuste ainda no ano de 2022.
Ademais, com esse montante poderia ter sido feito as adequações estruturais que muitas escolas precisam além de investir na formação dos professores. A Constituição ainda exige que os municípios destinem no mínimo 25% da arrecadação de impostos e transferências na manutenção e no desenvolvimento da educação.
Por não utilizar o percentual da receita em educação, de acordo com a legislação a prefeitura corre o risco de ser enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal e até ser considerada a pratica como improbidade administrativa.
Desrespeitosas as perguntas: “Você acha justo, após 2 anos de pandemia suspender as aulas? Nossas crianças já não foram demasiadamente prejudicadas? Como resposta, o professor nunca trabalhou tanto quanto na pandemia. Nenhum professor pediu para ficar em casa, para trabalhar com as TICs sem formação previa, com recursos próprios, tendo sua imagem exposta e sua privacidade invadida. Busca ativa foram realizadas, sacolas de atividades preparadas. Tudo para atender as singularidades e respeitar nossas crianças. As crianças têm sido prejudicadas por essa gestão que até o momento ainda não enviou material pedagógico suficiente para os professores executarem seu trabalho; também não tem enviado material básico como luvas e produtos de higiene diário; o pãozinho do café das crianças não deu as caras esse ano, somente bolacha sequinha; meia maça ou meia banana…. Ninguém quer paralisar suas atividades, mas também não é possível ir ao posto de gasolina e pedir para pagar o combustível em três anos. O que se almeja é um reajuste que contribua com uma melhor qualidade de vida aos servidores.
Covarde a carta que ataca os professores e sua tentativa de colocar a população contra a categoria. Uma parcela significativa dos professores está laborando enfermos, com condições psicológicas abalada. Falta estrutura, falta recursos, falta formação continuada, salas lotadas, assédio moral dentre outros.
Para finalizar, a carta endereçada aos servidores é apócrifa já que não está assinada além de conter erros crassos de português e de linguagem. Assim, fica a pergunta: o portal do servidor foi invadido? Quem debocharia do profissional que forma todos os demais profissionais de maneira tão vil?
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Lilian Lacerda, doutora pela PUC-SP, psicanalista e pesquisadora

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