Cidades inteligentes: Inovação, resiliência e participação

“Cidades inteligentes são lugares onde tudo parece conspirar para fazer a nossa vida melhor!  “

Hoje em dia se fala muito sobre as cidades inteligentes, porém, as pessoas ainda têm a percepção de que cidade inteligente é uma cidade digital, com lâmpadas de LED e internet na praça, porém, é muito mais que isso. A definição de cidade inteligente é bem mais complexa, pois, trata-se de um ecossistema eficiente, inovador, com cidadãos proativos, independentes e conscientes.

Não podemos comparar as cidades inteligentes dos países desenvolvidos com as cidades que estão em desenvolvimento no Brasil, pois, apesar de termos cidades mais desenvolvidas, infelizmente ainda somos atrasados e, enfrentamos problemas que esses países desenvolvidos já resolveram, como por exemplo, saneamento básico, regularização fundiária e mobilidade urbana. Quando falamos em cidades inteligentes no Brasil devemos analisar a nossa realidade.

Certamente vivemos um momento em que a grande disrupção é a velocidade com que as coisas acontecem e tudo se transforma. A Pandemia, nos últimos dois anos, tem sido um grande catalizador desse processo de transformação, assim como foram outras pandemias, como a da Varíola, a da Cólera, entre outras e, com isso percebemos que, mais do que nunca as nossas cidades precisam ser repensadas, para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento, planejamento e retomada econômica.

As pessoas cumprem um papel fundamental no desenvolvimento das cidades inteligentes pois a grande mudança é comportamental. As pessoas se conectam facilmente com os seus costumes e suas tradições desejando uma cidade melhor. Nesse sentido, é de extrema importância a capacitação de líderes representantes, agentes da transformação, para atuarem no desenvolvimento das cidades.

Esses agentes da transformação devem ser representados por cidadãos, pelo poder público, pela iniciativa privada, pelas ONGs, além de escolas e universidades. Somente com a integração e a participação desses agentes, levantando e discutindo problemas e soluções para a cidade que eles bem conhecem, usando a tecnologia como meio para melhoria da eficiência de processos é que se chega no objetivo final, que é a melhoria da qualidade de vida na cidade. É a partir desses projetos que surgirão políticas públicas inovadoras e participativas.

Antes de assumirmos qualquer posição somos todos cidadãos e é de extrema importância que todos tenham conhecimento da realidade da sua cidade, quais são os projetos em andamento e qual será o futuro, a curto, médio e longo prazo. A nossa atuação deve ser iniciada em casa, na rua, no bairro, na escola etc. porque a soma de pequenas ações geram grandes resultados.

Também precisamos destacar o cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que contemplam a Agenda 2030, porque não existe cidade inteligente se ela não for sustentável. Portanto, todos os projetos devem ser orientados no tripé da sustentabilidade (social, econômico e ambiental), garantindo recursos naturais para as gerações futuras.

A Agenda 2030 é um plano de ação global assumido em 2015 por 193 países, incluindo o Brasil, que reúne 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, criados para erradicar a pobreza e promover vida digna a todos, dentro das condições que o nosso planeta oferece e sem comprometer a qualidade de vida das próximas gerações.

A mudança começa com as nossas atitudes. Um caminho bem traçado unido à políticas públicas inovadoras e resilientes com certeza trará cidades mais inteligentes ao alcance de todos!

 Waleska Del Pietro Storani é engenheira agrônoma e especialista em cidades inteligentes e sustentáveis

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