Professora Bebel
O texto do Decreto n. 65.849, publicado no último dia 6, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, que disciplina a volta às aulas presenciais, escancara o descolamento da realidade da gestão do governador João Doria e do seu secretário estadual da Educação Rossieli Soares.
Veja o que determina o inciso I do art. 1o do Decreto: “observância de distância mínima de 1 metro entre pessoas, em todos os ambientes escolares, inclusive naqueles de acesso comum, para o desenvolvimento de quaisquer atividades”. Em que mundo vive o secretário de Educação?
Além desse distanciamento ser inferior ao recomendável (pelo menos 1,5 metro entre as pessoas), diga você, professor/professora, pai/mãe ou estudante: como será feito esse controle?
O Estado de São Paulo — o mais rico da federação, é sempre bom lembrar — teve tortuosos 18 meses para se planejar. Para colocar as equipes pedagógicas para projetar a escola no pós-pandemia. Para repensar o número de alunos por sala. Para repensar a política pedagógica e debatê-la com as comunidades escolares. Para reformar prédios escolares. Prefere, porém, decretar que todos deverão de manter permanentemente a uma distância mínima de 1 metro.
Quem explicará isso às crianças e adolescentes? Quem dará suporte aos profissionais da Educação? Onde está o comitê de saúde que o secretário garganteou ter criado para apoiar a política pedagógica?
Há muitas outras questões envolvidas na volta às aulas presenciais, como a vacinação completa, em duas doses, dos profissionais da educação, a imunização de pelo menos metade da população, condições estruturais das escolas, recuperação da aprendizagem.
Que tal saírem do mundo dos decretos, governador e secretário, e abrirem um diálogo sério sobre o retorno seguro às escolas?
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Professora Bebel, deputada estadual pelo PT, presidenta da Apeoesp e líder da bancada do PT na Alesp