Cristiano Carboni de Campos
Abrir um livro e começar a lê-lo é um ato de ousadia e heroísmo. A cada palavra absorvida, um sentido intangível vai cautelosamente invadindo nosso ser e se instalando em nossa mente que ainda permanece em um estado amorfo e imperceptível. Saúdo a quem corajosamente permite que o significado único de cada palavra faça parte da sua vida, da sua alma.
A necessidade da leitura está presente a todo instante: bulas, contratos, livros, cartazes, et cetera. Diversos são os momentos que fazemos uso desse recurso tão indispensável. Praticar leitura regularmente nos traz mais conhecimento, imaginação e ideias prolíficas que tanto contribuem para construirmos pensamentos, criarmos textos concisos e coerentes. Que lê sempre, pensa, escreve e decide melhor.
Redigir um texto, retocando aqui, retocando ali, não é senão um alinhamento de palavras que fornecem sentido a um determinado contexto. Escrever e ler são verbos inseparáveis. Coser paulatinamente as palavras é um emergir infinito e indescritível, o qual nos transporta a um fabuloso universo onírico e indecifrável. Todo texto nos induz a uma reflexão, nos induz a um caminho e nos faz (ou deveria fazer) questionar acerca de diversos conteúdos tão sólidos em nossa sociedade.
A leitura, em sua essência, molda aos poucos os nossos pensamentos, nossas perspectivas em relação a diferentes visões, proporcionando assim uma estrutura salutar que auxiliará nas mais variadas interpretações e nos mais variados contextos. Ler é um ato de transgressão, de não aceitação, de reinvenção. Toda leitura é válida; entretanto, a escolha do que será lido exercerá uma forte influência em nós e nos direcionará a um caminho específico. Em uma pesquisa sobre determinado assunto, a escolha da literatura específica e a sequência do que será lido fará toda a diferença no final do ciclo e da conclusão textual.
Vivemos em uma era vertiginosa na qual a intolerância impera! As pessoas caminham de um lado a outro hipnotizadas por um aparelho de celular que controla a tudo e a todos. Não há mais um diálogo harmonioso, uma conversa amigável, um conselho ou um bate-papo saudosista. O hábito da leitura está perdido nas entrelinhas. A mudança cabe a cada um. A leitura é uma ação intrínseca e essa semente deve ser plantada com urgência. Quem pratica leitura com veemência questiona valores ditos como imutáveis; porém, quem não lê se torna submisso a esses mesmos valores e não saberá o bem que a leitura nos faz.
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Cristiano Carboni de Campos, professor