Coronavírus: humildade para ouvir o que a ciência tem a nos dizer

Alexandre Padilha

Há que considerar todas as alternativas de tratamento ao coronavírus, apesar de ainda não ter sido encontrado nenhum medicamento eficaz cientificamente comprovado, há diversos medicamentos e terapias complementares que estão sendo avaliadas para tratamento. Mais do que nunca, este é o momento em que há que se ter humildade para ouvir a ciência, que deve estar em primeiro lugar no processo de definição de quais são as terapias mais adequadas para o tratamento.
Como vocês sabem, sou membro da Comissão que analisa as ações preventivas de combate ao coronavírus no Brasil na Câmara dos Deputados e nesta semana discutimos as opções terapêuticas de tratamento da doença com representantes de várias instituições como o Conselho Federal de Medicina, o Serviço Clínico do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz, a Associação Médica Homeopática Brasileira e meus colegas da faculdade de medicina da USP.
É muito importante que os membros do Congresso Nacional, Ministério da Saúde e especialistas brasileiros estejam alinhados e debruçados sobre o tema. Por isso, propus que seja instaurado na Comissão um painel com esses representantes de apoio irrestrito à pesquisa científica brasileira, para ouvirmos da ciência as orientações terapêuticas para garantir o apoio de recursos e a desburocratização para ampliação do acesso da população.
Temos o papel de auxiliar e cobrar o Ministério da Saúde em apoiar o conjunto de estudos clínicos que estão sendo realizados sobre tratamentos para que possamos incorporar um número maior de pacientes estudados, não pode faltar recurso para a pesquisa neste momento.
Todos precisam estar conscientes da situação dramática em que estamos vivendo e há que se considerar o estudo para utilização de diversas terapias, as antivirais que buscam a eficácia contra o vírus, as que interferem na capacidade de reprodução e também as não vão especificamente contra o vírus mas podem auxiliar na imunologia dos pacientes. A práticas terapêuticas complementares podem contribuir muito na prevenção e no cuidado reforçando nossa capacidade imunológica e respiratória para enfrentar a doença e o bem-estar neste momento de isolamento social. O uso da fitoterapia, homeopatia, o controle da ansiedade pela respiração com a meditação, as atividades corporais e a alimentação saudável aprimoram a defesa imunológica e auxiliam no combate ao vírus.
Quando fui Ministro da Saúde criamos a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) responsável pela introdução de terapias no sistema de saúde com evidencias cientificas comprovadas e há técnicas em terapia intensiva já consolidadas no mundo que ainda não foram incorporadas no SUS. Se comprovados eficazes, eles precisam ser analisados e introduzidos nem que sejam através de credenciamento e acompanhamento no tratamento dos pacientes.
Temos que estar preparados para viver um “novo tempo normal” pós-pandemia da Covid-19 no nosso dia a dia, mas também na área da saúde e no complexo industrial. Uma das lições que a pandemia nos trouxe é que precisamos aumentar nossa capacidade de soberania nacional: mais produção de pesquisa e estudo cientifico e de produtos essenciais para a saúde no Brasil.
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Alexandre Padilha, médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP)

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