Resiliência em tempo de coronavírus

Plinio Montagner

Uma das maiores dificuldades do ser humano é administrar com serenidade os traumas da vida. Boris Cyrulnik (1937), médico psicanalista francês, define a resiliência como um fator psicológico que habilita o homem a enfrentar as dificuldades da vida com calma e sem perder a esperança de que no fim tudo vai dar certo.
A resiliência se estende à aceitação do fazer diferente, de mudar estratégias e de sair da zona de conforto. É um comportamento inato que combina com os valores culturais pela interação social, boas leituras, formação religiosa, educação familiar, formal, e meios de comunicação.
A capacidade de vencer as adversidades foi definida pelo naturalista e biólogo britânico Charles Darwin (1809-1882), responsável pela teoria da evolução por seleção natural. Indivíduos mais fortes não são definidos pelo tamanho, mas por aqueles que possuem maior capacidade de sobrevivência e de reprodução entre os fenótipos menos favoráveis de adaptação ao ambiente.
Desde o nascimento somos afetados por desequilíbrios e desinteligências, em que o dom da resiliência, se aprimorado, se torna ferramenta fundamental capaz de o individuo, pacificamente, romper barreiras e sobreviver ante a natureza hostil.
O escritor tcheco Milan Kundera acrescenta que a inteligência, e principalmente a amizade, são fatores benéficos ao homem, principalmente em tempos de desarmonias. As amizades potencializam o homem a suportar sofrimentos. Sem a resiliência qualquer processo se torna uma arma sem munição, um ser perdido no universo.
Existe uma delicada plantinha chamada quebra-pedra, (phyllantus tenellus) que é um exemplo natural de resiliência. Ante a natureza hostil ela nfrenta e vence, sem traumas, o calor sufocante, o açoitamento dos ventos, as tempestades, as secas, e no final, se insurge de um minúsculo espaço entre fendas das rochas, sem apoio e sem ajuda e, de sobra, tem poderes medicinais pelo chá milagroso aos que sofrem de gota…
A espécie humana é frágil, e alvo fácil dos inimigos, visíveis e invisíveis, basta sair de casa ou nela permanecer.
Isolamento, solidão, sentimento de aprisionamento são agentes estressantes, causam depressão e pânico pela certeza da incapacidade de vencer o oponente e restaurar o que foi destruído, causando verdadeiros surtos psicóticos às pessoas.
O dom da resiliência vence batalhas e revelam super-heróis, como Nelson Mandela (1918-1913), advogado, líder rebelde, presidente da África do Sul e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1993. Essa pessoa fenomenal exemplifica o ápice da perseverança em sua incansável luta contra o “Apartheid” em seu país, mesmo condenado a ficar 28 anos preso por causa de sua luta.
E nós, agora, o que faremos ante o inimigo microscópico que saiu da China e está causando pandemônios e custando tantas vidas?
Havemos de considerar a frase de Boris Cyrulnk: “Para aqueles que se utilizam da força da resiliência para lidar com os contratempos, perder e sofrer, por vezes é uma possibilidade de crescimento”.

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Plínio Montagner, professor aposentado

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