Por um comitê de luta contra o coronavírus

José Machado

Tenho conversado com vários interlocutores e tenho apoiado a criação pelo Poder Público Municipal de um Comitê de Luta contra o Coronavírus. Move-me o interesse em contribuir, de forma republicana e visando estritamente o bem comum.
A meu ver, o atendimento a três diretrizes conforma a formatação e a implementação desse Comitê. A primeira é que essa luta tem que ser coordenada e integrada; a segunda é que é imprescindível a participação da sociedade civil organizada, expressa nas entidades e movimentos sociais (entidades empresariais; entidades sindicais; clubes de serviço; igrejas; conselhos; universidades; etc); a terceira é que a liderança tem que estar no Poder Público, aí obviamente incluídos a Câmara Municipal, o Ministério Público e o Judiciário, sob o comando do Prefeito Municipal. O Comitê deve ser necessariamente suprapartidário e blindado da campanha eleitoral em andamento.
Essas diretrizes, portanto, devem se expressar na constituição de um Comitê centralizado e integrado, capaz de articular dezenas de sub-comitês e/ou grupos de trabalho e/ou forças-tarefas com capacidade para atingir e impactar as comunidades periféricas da cidade, num formidável esforço de guerra.
Piracicaba, apesar dos protestos de alguns incautos, tem procurado prudente e acertadamente seguir as orientações das autoridades sanitárias e do Governo do Estado no sentido de praticar o isolamento social amplo, mantendo em funcionamento as atividades essenciais. Ademais, já se contabilizam inúmeras iniciativas do Poder Público, de entidades sociais, de empresas e de indivíduos, cada qual com sua especificidade, no sentido de fazer o enfrentamento à crise epidêmica. A cidade é privilegiada, pois é dotada de muitas ilhas de inteligência e de muita experiência institucional e individual, que se expressam no próprio poder público, nas empresas, nas universidades, nos sindicatos, nos movimentos sociais, e por aí afora.
Ocorre que, a meu ver, em que pesem essas ilhas de inteligência e experiência e a boa vontade reinante, as ações ainda seguem um padrão voluntarista e sem coordenação adequada, perdendo considerável efeito sinérgico. Mal comparando, a se manter o atual padrão estaremos impactando a crise com a energia de uma pequena central elétrica; porém, se nos organizarmos adequadamente, aproveitando a extraordinária capacidade técnica e institucional da cidade, no âmbito de um Comitê centralizado, integrado e amplamente participativo e que se irradie para as comunidades, poderemos alcançar, exagero à parte, um efeito sinérgico do nível de uma central nuclear.
A inteligência reunida no grupo inicial que comporá o Comitê, caso venha a ser criado, deverá debruçar-se, desde logo, na concepção do seu organograma e na definição das iniciativas mais estratégicas e urgentes, considerando as frentes de trabalho a serem constituídas. Os aspectos sanitário, logístico-operacional, de assistência social e o econômico inevitavelmente terão que ser consideradas, sem prejuízo de outros.
A crise epidêmica avança em nossa cidade e aparentemente está sob controle. O momento para se montar um aparato de guerra potente é agora. Prevenir agora para não ter que remediar depois. Não há um minuto a perder.
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José Machado, economista, ex-prefeito de Piracicaba e ex-deputado federal pelo PT

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