Augúrios

Elda Nympha Cobra Silveira

 

Assistindo na televisão sobre o futuro da Terra tem-se a impressão que o povo que a habita é alienado, não se alerta facilmente, despreza toda e qualquer previsão do caos que virá com a falta de água, enchentes destruidoras, degelo, devastação. O povo está preocupado com outras coisas que incitam uma avalanche de desejos de consumo exorbitante, de viver de aparências, de querer ser mais importante que os amigos e vizinhos. No mais das vezes, teleguiado pela propaganda, troca o carro, os aparelhos eletrônicos, tudo para ter poder e aparência e que se torna obsoleto rapidamente, porque o novo é melhor, mais possante e mais bonito.

Todo mundo enfrenta um gasto, por maior que seja e compra tudo no crediário e no cartão de crédito. Aparentemente, é fácil comprar assim, porque se tem a ilusão de que o que se gasta é pouco. E o que parecia ser um gasto irrisório, em pouco tempo, leva o comprador a um comportamento falaz, que o traz preso a uma corrente de dívidas.

Tudo bem, porque tempos atrás não se comprava coisas com tanta  facilidade, em primeiro lugar porque tudo era feito para durar, não para ser trocado. Hoje, tudo é descartável e tem um prazo de validade de no máximo três anos, que é mais ou menos o prazo de pagamento concedido pelo vendedor. Quando se está terminando de pagar já é preciso comprar outro! E a mídia instiga essa compra! E tudo o que não tem mais uso, tudo o que é obsoleto, vai para o lixão, que é no que a Terra está se tornando.

A humanidade poluiu tanto esse mundo que tudo o que comemos, bebemos e usamos para a sobrevivência é um coquetel de produtos químicos. A fauna e a flora do planeta se extinguem enquanto compramos bugigangas chinesas baratas e descartáveis somente para saciar nossa compulsão pelo consumo ilusório e efêmero. E assim o lixão  em que a Terra se tornou vai sendo entupido pelo descarte daquilo que o ser humano carimba como supérfluo.

Desde muito tempo a mídia augura que em 2040, mais ou menos, nossos descendentes enfrentarão desastres inomináveis e irreversíveis. Quem somos nós se não nos sentirmos culpados com o que deixamos de herança para eles? Mas a humanidade já está bebendo desse cálice, basta estar ligado nos acontecimentos que a mídia explora, e bem explorado! Devemos ficar trêmulos de medo, pois só assim teremos o impulso de salvaguardar a humanidade insana, que despreza os conceitos e princípios daqueles  mais sábios, que sabem o valor que a Terra tem.

O pós-guerra repercutiu não só no exterior,  mas também aqui no Brasil com a carestia. Naquela época todo mundo achava importante economizar! A gasolina foi substituída pelo gasogênio, já que os carros estavam na garagem por falta de combustível. O trigo não vinha para as padarias e muitos alimentos eram comprados no câmbio negro! Foi uma época de dificuldades… O Brasil dependia da importação de muitos produtos, inclusive o petróleo que depois de industrializado, abastecia de gasolina nossos carros.

A época primou pela economia de tudo e isso foi uma verdadeira lição para um povo que se levantou e progrediu porque conheceu a carência.

Devemos mesmo ficar trêmulos com os dias que virão se não tivermos inteligência para perceber o óbvio.

 

Elda Nympha Cobra Silveira, escritora, artista plástica; e-mail: [email protected]

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