Perfídia a pátria

José Osmir Bertazzoni

 

Um momento turbulento vive o Brasil, a violência que era contra cidadãos por bandidos, agora é do Estado miliciano contra todos. Instiga-se a violência e o divisionário ideológico na busca de atitudes sangrentas. O nosso povo, sempre pacifista, hoje carrega sangue nos olhos, revoltas mesmo diante das verdades.

O sangue humano derrubado já não gera mais fobias, mas estimula pessoas a gostar e apoiar o ódio e a violência. Organismos do Estado se rebelam com armas, cujo impeditivo constitucional é taxativo e expresso, destroem patrimônios, viaturas, saqueiam armas das corporações, contratam figurantes para avolumar movimentos específicos, carpideiras modernas que se apresentam como mulheres de soldados.

Uma nova realidade, os partidos criminosos estão ficando fora de moda, as milícias começam a unificar recursos do Estado com bandalheiras criminosas. O nosso país não é mais o mesmo, as ruas estão vazias, lojas e indústrias encerram as suas atividades, placas de alugueres em todos os rincões do país mostram o como perdemos vagas de empregos.

Empresários fracassados e condenados juntam-se para fragilizar o sistema social do país, projetam fim dos direitos dos trabalhadores e falências do sistema previdenciário nacional.

Os nossos patrimônios estão sendo vendidos ou entregues aos reconhecidos ratos internacionais, o nosso petróleo já não é mais o nosso, a Embraer hoje já é da América do Norte; a Vale do Rio Doce já está amargando a vida de muitos brasileiros.

Uma quantidade de ideias frívolas, uma visão superficial do mundo e do ser humano que é uma coisa perigosa. Machado de Assis reforça que no Brasil existe dois “Brasis”, o país real e o país oficial, entende Ariano Suassuna, o país real é bom, somos nós, o país oficial é ruim, o Brasil tem uma elite caricata e burlesca com comportamentos escravocratas. Esta elite influência a classe média que aplaude a visão da miséria, achando-se superior a outros humanos, ficando feliz só em se sentir superior, mesmo que essa falsa superioridade custe a sua própria decadência. Não se trata de filosofar ou socializar conceitos, trata-se de uma realidade não virtual, mas destrutiva que desconstrói 80 anos de evolução social de uma nação.

Empregadas domésticas no Brasil sempre foi uma atividade de exploração, em 2014 o Brasil reconheceu direitos fundamentais e humanos redigidos pelas OIT/ONU apelando pelo trabalho decente e respeito a todos os trabalhadores, incluindo os trabalhadores domésticos.

A elite julga que direitos trabalhistas e previdenciários são privilégios e, com a sua opinião, contamina a classe média que prefere se sentir rico ao revés de pobres como são. Um Ministro de Estado ataca dizendo que até domésticas estavam indo a Disney; chama servidores públicos de parasitas, agride e destrói a paz social e o direito dos que trabalham e os que dependem da atuação do Estado.

Jornalistas são agredidos todos os dias por informarem as verdades nos ninhos da república familiar de um governo miliciano; mulheres desrespeitadas, educação em colapso, segurança pública tem que ser espelho da morte.

A perfídia é o molde que nos impões o despreparo de um governo que se abriga nos coturnos de alguns senilizados militares da reserva ultrapassados em um furtivo “olavismo” anacrônico.

Vivemos pela paz e pelo crescimento e desenvolvimento de um Brasil para todos. Durante o regime de ditadura que imperou por vinte anos no Brasil, Delfin Neto, Ministro da Economia Militar, afirmava “O Brasil precisa crescer primeiro para dividir depois”. Cadê a divisão, continua concentrada nas mãos de parcos rentistas improdutivos que realmente são parasitários em nossa sociedade.

 

José Osmir Bertazzoni, jornalista, advogado, diretor do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Piracicaba

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