Prosa & Verso – Edição 999

PROSA

O Relógio e a vida

Leda Coletti

A vida acompanha o tempo ou será o oposto? E quando falamos do tempo, pensamos no instrumento que o simboliza: o relógio. No ponteiro menor, o qual marca as horas, os seus intervalos se sucedem mais vagarosamente. São as diferentes fases etárias de nossa existência; o maior, registra os minutos, ou seja, nossas horas vividas no dia a dia; já o minúsculo, bem rapidinho, exibe os segundos, fragmentos dos momentos alegres, tristes, produtivos ou vazios.

O relógio pode parar, se não acionarmos periodicamente as cordas dos seus ponteiros. Assim também na roda da vida.  Se não existirem os sonhos, esta não fluirá leve e solta.

Não tenhamos medo de sonhar e sempre aspirar algo. Façamos do tempo uma ciranda de bem viver! A vida só tem sentido quando é vivida de modo intenso, com simplicidade de gestos e ações.

Você tem medo da vida? Comece a brincar de viver e verá que apesar de alguns entraves, ela é divertida e prazerosa.

A VIAGEM

Ludovico da Silva (in memoriam)

A estação da pequena cidade servia para as despedidas das pessoas que viajavam. E sempre reunia muita gente, principalmente os amigos mais íntimos. Na rua principal morava um casal. Sem filhos. Marido e mulher gostavam de viajar, sempre juntos. Raramente um viajava sozinho. Quando isso acontecia, já haviam combinado a troca de correspondência, contando as belezas do lugar, as companhias, os passeios. E aconteceu que, certa vez, só a mulher viajou. Muita gente foi até a estação, para as despedidas. O marido ficou triste e os amigos, também. Como haviam combinado a troca de correspondência, ele ficou ansioso. O tempo foi passando e a mulher não mandava cartas.
Foi daí que ele tomou da caneta e passou a escrever-lhe. As cartas voltavam. O carteiro sentia a mesma tristeza dele, a cada dia que portava uma carta de volta. E assim o tempo continuou passando. Muito tempo. Uma tarde o marido também viajou. A estação ficou cheia de amigos. Um a um se despediu dele, dizendo, com muito sentimento, um adeus.

 

VERSO

Leveza Angelical

Lídia Sendin

Anjos são leves,

Por isso voam.

De asas abertas

Têm em si a brancura

De todas as cores,

O perfume de todas

As flores e

O bálsamo de todas as dores.

Mesmo assim são leves e voam.

 

Nós não vemos a beleza das cores,

Nem sentimos o perfume das flores,

Não há consolo para as dores

Em nossos braços fechados.

Carregamos o jugo e o pesar,

Em nossas almas há pecados

Que não nos deixam voar.

 

O amor que canto em prosa e verso

Elisabete Bortolin

Brota da relva úmida

Existente no jardim do coração

Fazendo de cada dia uma canção.

 

As estrelas, a lua e o céu

Equilibrados em harmonia

Sondam o caminhar dos chelas

Que irradiam luzes belas.

 

Toda luz e alegria sem fim

Emana da presença EU SOU

Trazendo bem-aventurança

Paz, amor e esperança!

 

PERDAS DE MIM

Raquel Delvaje

Essa noite andei pelas ruas
De mãos dadas comigo
E de repente me perdi de mim
E pelas ruas eu tropecei em perdas
Enfim, ficou um pedaço em cada esquina.
E sobraram-me braços sem abraços
E metade de mim, sem outra parte
E o caminho que eu tanto conhecia
Cruza agora com vias e ruelas
Dantes nunca visitadas
Ruas feitas de perdas pequeninas
Que levaram metade de mim
Levaram olhos, pernas e corpo de minha alma…

 

Indagação

Aracy Duarte Ferrari

Os homens fixam

Seus olhos no céu.

Porém,

Quantos chegarão lá?

São anos-luz de

Mistérios!

 

Aninha e Suas Pedras

Cora Coralina
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

 

NOTÍCIAS

  • E agora vamos aos livros escolares. Você conhece o Recanto dos Livros, no Lar dos Velhinhos de Piracicaba? Lá você pode encontrar livros a preços maravilhosos. Os preços são ótimos e além disso há um cafezinho com prosa muito interessante. Funciona aos sábados, das 8h30 às 12h30.

 

Palavra do Escritor:

Medíocres passam, gênios imortalizam-se.”   Cecílio Elias Netto

Nascido em Piracicaba, no dia 24 de junho de 1940, Cecílio Elias Netto é jornalista, escritor e bacharel em Direito.

 

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