A contribuição da Unimep para o setor público, democratização e sociedade

 

 

Barjas Negri

 

É muito difícil não reconhecer a participação da Unimep; alunos, professores e funcionários, em diversos acontecimentos políticos, sociais e ambientais da história recente de Piracicaba. Foi assim, por exemplo, durante a realização do Congresso da UNE, em 1980, ainda em plena ditadura militar, quando a universidade demonstrou coragem e resistência diante do autoritarismo. E há muitos outros exemplos marcantes dessa presença.

A comunidade acadêmica da Unimep participou ativamente de mobilizações em defesa do rio Piracicaba, especialmente quando se iniciou a retirada de água de nossa bacia hidrográfica para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo. Também esteve presente nas lutas contra a irresponsável poluição das águas do Piracicaba; nos movimentos de enfrentamento ao regime militar e pela redemocratização do Brasil; nas campanhas pela anistia aos presos políticos; e em ações de combate à pobreza e ao analfabetismo, promovendo cursos e iniciativas educativas em bairros mais distantes do Centro. Houve, ainda, importante apoio às populações dos núcleos de favelas, muitas vezes invisibilizadas e sem o olhar atento e responsável das autoridades governamentais. E a lista poderia se estender por muito mais tempo.

Ao observarmos a participação política, nota-se também a expressiva presença de ex-alunos da Unimep na Câmara Municipal, como vereadores que se elegeram e, em alguns casos, chegaram à presidência do Legislativo. Na administração pública, especialmente na Prefeitura, essa participação foi ainda mais acentuada, com a nomeação de secretários municipais e assessores oriundos da universidade. Com dedicação e profissionalismo, esses quadros contribuíram para o avanço das políticas públicas e para a consolidação de bons indicadores socioambientais, que transformaram Piracicaba em referência nacional. E é importante lembrar: estamos falando da atuação de ex-professores e ex-alunos da Unimep.

Cabe destacar, ainda, o papel político-administrativo da comunidade acadêmica da Unimep na vida pública de Piracicaba, do Estado de São Paulo e do Brasil. Não é exagero afirmar que, nos últimos 50 anos, Piracicaba foi administrada por 24 anos por três ex-professores do Departamento de Economia da Unimep: José Machado, Gabriel Ferrato dos Santos e Barjas Negri. Dois deles (Gabriel e Barjas) também foram alunos da instituição. Todos contribuíram para avanços econômicos e sociais importantes na cidade.

Além disso, três ex-professores da Unimep ocuparam cargos de ministro no governo federal: Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações), Nelson Machado (Planejamento e Previdência Social) e Barjas Negri (Saúde). A esse histórico somam-se figuras como o ex-deputado estadual e federal Wanderlei Macris, formado em Direito, e José Machado, ex-professor de Economia, que também atuou como deputado estadual, deputado federal e presidente da Agência Nacional de Águas. Cada um, à sua maneira, levou a experiência vivida na Unimep para servir ao país.

Vale lembrar também o ex-professor Roberto Armando de Aguiar, que foi reitor da Universidade de Brasília (UnB) e secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, ampliando ainda mais o alcance da contribuição da universidade em espaços estratégicos da vida pública nacional.

Na área jurídica, destaca-se o advogado Achile Mário Alesina Júnior, egresso do curso de Direito da Unimep e nomeado desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Soma-se a ele uma geração de profissionais que se formou na instituição e seguiu carreira no sistema de Justiça, tornando-se juiz, promotor ou referência em sua área, como Eduardo Jorge Velho (formado em 1982), Vilson Previte (2005) e Wander Pereira Rossette Junior, graduado em Ciências Contábeis e Direito, mestre em Direito e professor da própria Unimep, com atuação em “Infância e Juventude” e Direito Penal.

 

Barjas Negri foi ministro da Saúde e prefeito de Piracicaba por três gestões

 

 

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