Adilson Roberto Gonçalves
O trabalho da extrema direita em desacreditar instituições é primoroso. Não por menos, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido mal avaliado pela população em consonância com os que aceitam qualquer candidato à presidência que esse grupo político lança no mercado. Ou seja, é coincidente a intenção de voto em um Bolsonaro com a porcentagem que não confia no STF. Mas a Suprema Corte também carrega suas disfunções, não quando aplica a lei e defende a Constituição como deve ser, mas quando dá privilégio para preso que atentou contra a democracia ao receber representação diplomática de país estrangeiro (revogada agora, depois do alerta do Itamaraty), ou para outro detento de alta periculosidade ao romper as regras e permitir conversas sem gravação, ou ainda quando suspeição de Magistrados deveria ser prolatada a priori, não depois de reportagens jornalísticas.
A imiscuidade do momento é o poderio de um banqueiro – seria melhor trambiqueiro –, o senhor Daniel Vorcaro, e tudo o que ele pôde comprar de objetos a abjetos, de imorais e humanos. De outro lado, a presença de ministros da Suprema Corte, além de muitos políticos (praticamente todos de direita) envolvidos em negócios com esse trambi… banqueiro. Uma vez pode ser coincidência, duas, duvidamos, mas com múltiplas intersecções de atividades fica evidente que há algo mais do que casualidade.
Os representantes do grupo político que se assemelha ao fascismo se fiam em atribuir a causa da corrupção a todo o sistema existente, como se aquele grupo não fosse um dos principais artífices das relações indevidas entre o público e o privado. E carregam muitos órgãos de imprensa consigo, mesmo que todos se arvorem em serem apolíticos ou isentos. É, ao menos, o discurso. Por exemplo, a Folha de S. Paulo colocou na mesma vala todas as mazelas jurídicas do país em editorial de um mês atrás (“Supremo que pode tudo não é bom para o país”). O STF é, por primazia, o defensor da Constituição Federal, mas a mesma Carta levou a instituição a julgar crimes de envolvidos com foro privilegiado. Os casos denunciados pelo jornal, que envolvem banqueiros políticos e outras “celebridades”, estão sendo revistos e passados pelo escrutínio da opinião pública, mas não desmerecem o conjunto de compromissos da Suprema Corte com a democracia. Se criminoso, um juiz também deverá ser julgado seguindo ritos competentes, não pelo clamor protofascista que se depreende do editorial.
Muita podridão ainda será revelada no caso do Banco Master, mas o que mais impressiona é saber como uma instituição que, em tese, possui apenas recursos dos outros consegue tanto poder. O dinheiro que está depositado numa conta não é do banco. Porém, a instituição financeira se apossa do recurso como se fosse seu, que passa a constituir seu patrimônio, e realiza operações de risco para valorizá-lo e até se solidariza com o verdadeiro dono, repassando parte dos lucros que aufere e, obviamente, todo o prejuízo quando usa o dinheiro de forma errada. Ou seja, o banqueiro é o explorador dentre os exploradores do capitalismo.
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Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp – Rio Claro