
Estudo clínico da USP acompanhou 207 participantes por dois anos e registrou redução de 60% nas queixas cognitivas
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que programas de estimulação cognitiva produzem melhoras mensuráveis na memória, na saúde mental e na qualidade de vida de idosos sem comprometimento cognitivo. Os resultados foram publicados em 2026 na revista International Psychogeriatrics, um dos principais periódicos científicos da área.
A pesquisa acompanhou 207 pessoas com 60 anos ou mais, cognitivamente saudáveis, distribuídas em três grupos: um grupo submetido ao programa de estimulação cognitiva, um grupo controle ativo — que participou de aulas sobre envelhecimento saudável — e um grupo controle passivo, sem nenhuma intervenção. As avaliações foram realizadas aos 6, 12, 18 e 24 meses, o que permitiu medir os efeitos ao longo do tempo.
Os números indicam redução de 60% nas queixas cognitivas e melhora de aproximadamente 45% na memória ao final de um ano, considerando funções executivas e cognição geral. Os sintomas depressivos caíram 29% no grupo que participou do programa.
“Esses dados são representativos e evidenciam que as pessoas que participam das atividades apresentam vantagens significativas para sua vida como um todo”, afirmou Thais Bento, gerontóloga e autora principal do estudo, pesquisadora vinculada ao Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) e ao Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP.
O delineamento adotado — ensaio clínico randomizado, controlado e cego — é considerado o padrão mais rigoroso para pesquisas sobre intervenções em saúde. Segundo os autores, é o primeiro estudo desse tipo e duração realizado no Brasil com foco em idosos saudáveis.
Entre os ganhos observados estão habilidades ligadas ao planejamento, à organização, à tomada de decisões e à fluidez na comunicação — funções associadas à cognição executiva, que tende a declinar com o envelhecimento mesmo na ausência de doenças.
A estimulação cognitiva é uma intervenção não farmacológica, o que significa que não envolve o uso de medicamentos. O campo ganha relevância diante do envelhecimento acelerado da população brasileira e da ausência de tratamentos medicamentosos capazes de prevenir ou reverter o declínio cognitivo associado à idade.
O trabalho também se destaca por preencher uma lacuna científica, sendo um dos maiores ensaios clínicos randomizados realizados no Brasil sobre o tema, com 207 participantes com 60 anos ou mais, cognitivamente saudáveis.
Entre os métodos incluídos neste estudo, está o Supera, que é baseado na estimulação cognitiva. “Investimos em saúde, qualidade de vida e estimulação cognitiva. Ter respaldo científico de alto nível consolida esse propósito e oferece fundamentação teórica e prática para nossos alunos em todo o País”, afirma Bárbara Perpétuo, vice-presidente do Supera.