‘A dor não é normal’ – Ginecologista alerta para subdiagnóstico da endometriose

Médica ginecologista Sissi Zilli Bertolini, da Santa Casa de Piracicaba. Crédito: Divulgação

Doença afeta cerca de 7 milhões de brasileiras e permanece desconhecida pela maioria das pacientes; especialista da Santa Casa explica sintomas, diagnóstico e tratamento

 

 

Uma cólica menstrual que não passa. Uma dor que se intensifica a cada ciclo. Para muitas mulheres, esses sinais são tratados como algo corriqueiro. Para a ginecologista Sissi Zilli Bertolini, da Santa Casa de Piracicaba, essa tolerância é um dos maiores obstáculos no combate à endometriose.

“A dor pélvica intensa durante a menstruação não deve ser normalizada. Quando a paciente precisa faltar ao trabalho ou à escola por causa da cólica, isso já é um sinal de que algo precisa ser investigado”, afirma a médica.

A doença atinge cerca de 7 milhões de brasileiras. Uma em cada 10 mulheres no Brasil sofre com sintomas da endometriose, de acordo com o Ministério da Saúde, o que resulta em um impacto significativo na produtividade feminina. Além do sofrimento físico e mental, afetando a qualidade de vida.

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva e é caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina e do miométrio, caracterizando em processo inflamatório crônico. Essa condição pode afetar órgãos como útero, ovários, tubas uterinas, intestino e bexiga, entre outros.

A endometriose pode se mostrar assintomática em 2% a 22 % das mulheres, mas na maioria dos casos, a sintomatologia envolve cólica de forte intensidade, dor na relação sexual, dor ao defecar, dor ao urinar, alteração no hábito intestinal e, em alguns casos, infertilidade. No entanto, a apresentação clinica é muito variável e nenhum desses sintomas é exclusivo da endometriose, o que torna o diagnóstico mais difícil e muitas vezes realizado tardiamente.

O diagnóstico é feito por intermédio da história clínica, exames de imagem (ressonância magnética e USG transvaginal com preparo intestinal) e, quando necessário, a laparoscopia. 

Uma vez confirmada a doença, o tratamento é individualizado, considerando a localização dos focos, a gravidade dos sintomas, a idade da paciente e o desejo de engravidar.

O tratamento pode incluir mudança no estilo de vida, como uma alimentação saudável, a prática de atividade física e cuidados com a saúde mental. Além disso, pode envolver o uso de analgésico e anti-inflamatórios,  métodos hormonais para bloquear a menstruação e, em alguns casos,  intervenções cirúrgicas.

“Não existe um tratamento único que funcione para todas as pacientes. O mais importante é que a mulher não aguarde a até que a dor se tornar insuportável para buscar ajuda”, reforça Sissi.

A orientação da especialista é que mulheres que apresentem cólicas progressivas, dor pélvica constante e/ou infertilidade procurem atendimento ginecológico para que possam ser submetidas a investigação e diagnóstico precoce.

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