
O projeto Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas realizou o cálculo estimado dos estoques de carbono em áreas de vegetação nativa, de restauração florestal, implantadas pela iniciativa no segundo semestre de 2022 (há cerca de 40 meses) nos municípios de Piracicaba, São Pedro, Anhembi e Santa Maria da Serra.
O processo de captura e armazenamento de Gases de Efeito Estufa (GEE) – entre eles, o dióxido de carbono – é apontado pelo projeto como um dos benefícios da restauração florestal, que favorece, ainda, a conservação da água e a mitigação das mudanças climáticas.
O levantamento, realizado por técnicos do Corredor Caipira em fevereiro de 2026, apresentou resultados quanto à vegetação, por meio de inventário, com ênfase na biomassa e no estoque de CO2e (dióxido de carbono equivalente). A vegetação nessas áreas (que, somadas, totalizam 50,5 hectares), apresentou 816,7±157,9 toneladas de biomassa, com remoção de 1.407,4±272,2 toneladas CO2e da atmosfera.
O engenheiro e consultor florestal do Corredor Caipira, Girlei Cunha, explica que há diferentes gases que provocam o efeito estufa (GEE), como o dióxido de carbono (CO2 – popularmente conhecido como gás carbônico), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), ozônio (O3) e clorofluorcarbonos (CFCs). Como esses gases têm diferentes potenciais de aquecimento, para padronizar e comparar o impacto climático das emissões é utilizada a unidade métrica dióxido de carbono equivalente (CO2e).
Cunha explica que, nos processos de monitoramento das áreas em restauração no projeto “Corredor Caipira” o cálculo das remoções de CO2e começa na estimativa da quantidade de biomassa das plantas nas áreas restauradas. Essa estimativa é feita por um sistema de amostragem em parcelas onde as plantas localizadas no interior dessas parcelas (unidades amostrais de 200m²) são identificadas individualmente por tipo de espécie e cada planta é medida em seu tamanho (o diâmetro do tronco e altura total do indivíduo).
Para transformar essas dimensões lineares (diâmetro e altura) em unidade de massa (kg) é utilizada uma equação matemática desenvolvida na tese de doutorado do Eduardo Gusson (Esalq/USP) e elaborada para áreas de reflorestamento com espécies nativas no interior de São Paulo.
“Essa equação permite que os dados de cada planta medida sejam transformados em uma estimativa de biomassa. No processo de amostragem são realizadas dezenas de parcelas. Os dados dessas parcelas são, então, submetidos a uma análise estatística que indica qual o valor médio de biomassa por parcela, assim como o grau de confiabilidade estatística das estimativas que foram geradas”, aponta o engenheiro florestal.
Girlei Cunha aponta que a remoção de GEE tem uma fundamental relevância atual e global, mas é apenas um dos aspectos positivos da restauração florestal.
“Os benefícios locais extrapolam a questão da remoção dos gases de efeito estufa da atmosfera. A contribuição positiva para o ciclo da água, favorecendo a infiltração da água das chuvas no solo, retenção de água na floresta, melhoria da retenção de água no solo florestal, promoção da biodiversidade da flora e da fauna da região, são benefícios não tão facilmente quantificáveis, como os estoques de carbono, mas cuja importância local é incomensurável”, completa o representante do Corredor Caipira.
FLORESTAS E ÁGUA – No dia 21 de março é comemorado o Dia Mundial das Florestas e em 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água. Ambas as datas são importantes para incentivar os debates e gerar consciência quanto à preservação dos recursos naturais. O projeto “Corredor Caipira” tem como objetivo realizar ações ecológicas, com o intuito de conservar e restaurar as florestas e preservar a água, favorecendo, assim, a manutenção da biodiversidade, a fim de promover sustentabilidade e melhores condições de vida a todos os seres do planeta.