
A deputada Professora Bebel homenageará Cecílio Elias Netto na Alesp, com o prêmio Inezita Barroso; sessão solene será realizada amanhã, 13
A deputada estadual Professora Bebel (PT) entregará nesta próxima sexta-feira, 13 de março, em solenidade na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o prêmio Inezita Barroso ao jornalista, escritor, advogado e historiador piracicabano Cecílio Elias Neto. O seu nome aprovado pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, por indicação da própria deputada estadual Professora Bebel pela sua dedicação à cultura caipira. A entrega do prêmio acontecerá em sessão solene que acontecerá no plenário Juscelino Kubistchek, às 10 horas. em sua 9ª edição. Esse prêmio tem o objetivo de valorizar a cultura caipira de raiz e qualquer forma de arte genuinamente popular que a complemente.
Bebel destaca que o piracicabano Cecília Elias Neto, além de jornalista, escritor, advogado e, sobretudo, historiador é um dos maiores conhecedores da cultura caipira, que é sinônimo de Piracicaba. “Autor de mais de 30 livros, que contam a história política e cultural da cidade, sua obra de maior importância do ponto de vista da cultura caipira do interior do Estado de São Paulo é o livro Dicionário do Dialeto Caipiracicabano – Arco, Tarco, Verva”, escreveu Bebel na apresentação do homenageado.
A parlamentar destacou, ainda, que o Dialeto Caipiracicabano é referência para se compreender a cultura caipira do povo do interior do Estado de São Paulo, as bases para a musicalidade presente nas composições do sertanejo raiz e do cururu. O livro é resultado de uma extensa pesquisa histórica e da vivência do escritor como jornalista em Piracicaba e transforma a cultura caipira de Piracicaba em literatura e amplia ainda mais os seus horizontes.
Bebel ressalta também que a sexta edição do Dialeto, publicada quase 30 anos após o primeiro dicionário, reúne 1479 verbetes, e a publicação coincide com o reconhecimento do dialeto e do sotaque piracicabanos como “patrimônio histórico e cultural imaterial da cidade de Piracicaba”, por meio do decreto 16.766 assinado pelo prefeito municipal em 25 de agosto de 2016. “A identidade entre a música caipira e o dialeto caipiracicabano fica evidente quando se observa a maioria dos verbetes, como “proseia”, “lonjura”, queimá paia”, “põe reparo”, “tisorá”, “bardeá”, “cascá o bico”, “réiva”, “mió du boi”, “enverga mai num quebra”, “carque duro”, “trupicá”, “arruinô”, “sarto”, “carcule”, “picá o trecho”, “picá a mula”, “tomô que até roncô”, e os três que integram o título da obra: “arco” (álcool), “tarco” (talco) e “verva” (loção pós barba de Aqua Velva)”, descreve.
A obra, como ressalta a Professora Bebel, foi construída quase que coletivamente, como admite o próprio autor, quando fundou, em 1987, um jornal semanário chamado “A Província”, que tinha o objetivo de resgatar a memória e divulgar a história do município de Piracicaba, com destaque para a sua identidade cultural. O jornalista criou uma seção chamada “Arco, Tarco, Verva – O Refinado Dialeto Caipiracicabano”, para receber e divulgar expressões enviadas pelos próprios leitores.
Cecílio Elias Netto nasceu em 24 de junho de 1940, filho dos também piracicabanos Tuffi Elias e Amélia Abrahão Elias, no centro da cidade de Piracicaba. Em entrevista ao jornalista João Nascif, ele se refere de forma carinhosa ao local: “Costumo dizer que nasci bem no umbigo de Piracicaba, na esquina da catedral, ali onde mais tarde por alguns anos funcionou a lanchonete Daytona”.
Em sua carreira como jornalista testemunhou os principais fatos políticos e econômicos do país e, principalmente, de Piracicaba e do interior do Estado de São Paulo durante mais de 50 anos. Na imprensa piracicabana, foi diretor dos jornais Folha de Piracicaba, O Diário e A Província, editor especial do Correio Popular (de Campinas), membro do Conselho Editorial do Jornal de Piracicaba e cronista de A Tribuna Piracicabana. Também foi vice-presidente da ADJORI – Associação dos Jornais do Interior de São Paulo.
Além de sua contribuição fundamental sobre o dialeto caipira, Cecílio possui outras obras que dialogam com a cultura e a história do povo que vive no interior do Estado de São Paulo, sobretudo no ambiente rural, como “Bagaços da Cana” – romance de 1978, que retrata a vida de trabalhadores no cultivo da cana-de-açúcar na região; “Piracicaba que amamos tanto”, “Piracicaba, um rio que passou em nossa vida”, “Piracicaba, a doçura da terra”, trilogia que aprofunda diferentes aspectos da cultura da cidade e “Almanaque 2000 – Memorial de Piracicaba Século XX” – que recebeu o prêmio “Clio da História”, da Academia Paulistana de História (SP – 2002).
Para Bebel, “o ponto forte de sua carreira como jornalista e escritor é justamente essa sensibilidade para a alma do caipira, para o sentimento que marca o jeito de ser do povo que mora no interior do Estado de São Paulo, que se identifica a partir da música caipira raiz e do cururu. Ao longo de sua vida, como jornalista, como historiador e como escritor, pesquisou sobre essa identidade cultural, escreveu sobre ela e deu à linguagem desse povo o status de dialeto”.
Em sua definição sobre a palavra caipira, Cecílio Elias Netto destaca que caipira provém do termo tupi-guarani kaai’pira, onde kaa significa mato, i’ significa água e pira significa peixe, ou seja, “aquele que vive no mato, à beira do rio, comendo peixe”. Nada mais caipiracicabano raiz. “Ao propormos o prêmio Inezita Barroso 2026 ao jornalista, historiador e escritor Cecílio Elias Netto, enaltecemos sua contribuição para a valorização da música e da cultura caipiras, a partir de uma obra que é pura poesia caipira e sertaneja, ainda que não seja música”, completa Bebel.