Ditadura – Livro da socióloga piracicabana Izelda Amaral traz verdades

Obra lançada em Piracicaba dia 5 passado, com palestra do professor Dorgival Henrique, presidente do Instituto Piracicabano de Estudos e Defesa da Democracia

 

 

O livro da “No ar da Ditadura”, da escritora pela socióloga piracicabana Izelda Amaral, radicada na Itália, foi lançado no salão nobre da Câmara Municipal de Piracicaba, no último dia 5 de março, diante de uma plateia especial. Lá estavam os jornalistas Jairinho Mattos, Diretor da Rádio Educadora de Piracicaba; Edson Rotani Junior, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (apoiador do lançamento); Camilo Quartarollo, colunista da Tribuna Piracicabana; Barjas Negri, ex prefeito de Piracicaba; Ana Gustinelli, professora de teologia; Thiago Martins do Segundo Cartório de Notas de São Paulo; estudantes como Leonardo Martins e professores do ensino médio, além de jornalistas e pessoas interessadas em conhecer verdades sobre a ditadura militar no Brasil.

O lançamento do livro foi precedido por uma exposição do Professor Universitário aposentado Dorgival Henrique, presidente do Instituto Piracicabano de Estudos e Defesa da Democracia, IPEED. O Professor é referência na reflexão crítica sobre o período autoritário no Brasil. Integrou a antiga Ação Popular (AP), viveu clandestinamente durante seis anos após deixar o movimento estudantil de Brasília (DF). Falou sobre aquele período de perseguições de brasileiros que não podiam expressar suas opiniões a respeito das imposições da ditadura.

Escrito a partir de anotações feitas logo após sua prisão pela Operação Bandeirante (Oban), No ar da ditadura não é só um relato autobiográfico tradicional. A obra reúne cenas, diálogos e situações vividas e presenciadas pela autora no auge da repressão, compondo uma narrativa sensível e contundente sobre o cotidiano do medo, da violência e da resistência. A narrativa é de 1971.

Pancadarias

 

Durante o debate Izelda, destacou que nas dependencias do DOPS e do DOI CODI, os presos dormiam no chão. Eram acordados a qualquer hora da noite e madrugada e submetidos às mesmas interrogações, inúmeras vezes, sob pancadarias e ameaças. Explicou que o ar da ditadura era  tão pesado, que criticar o governo já era considerado um crime inafiançável e participar de organizações que combatiam a ditadura constituia um grande risco, quase uma sentença de morte.”

 

Tudo o que aconteceu durante sua prisão foi anotado às escondidas por Izelda. Assim, a narração não se perdeu no tempo: “Senti uma estranha dor entre os dedos de minha mão direita. Tinha como um prendedor pontudinho de aço no vão dos dedos. A dor do torniquete no dedinho repercutia no estômago. Diante da humilhação a mente encobre tudo com um véu de altivez capaz de resistir à dor física como coisa de menor importância. Do prendedor vinham pulsações elétricas. Minha envergadura diminuiu. Fiquei encolhida até os ossos”.

Para a autora não se trata apenas de rememorar o passado e sim “sobre a importância de lembrar, para que tudo isso não se repita”.

Sobre o livro
No ar da ditadura – São Paulo, 1971
Autora: Izelda Amaral
Editora Mireveja | 128 páginas

O livro pode ser adquirido pela Amazon pelo link:
https://www.amazon.com.br/No-ar-ditadura-Izelda-Amaral/dp/6586638593

 

 

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