Dirceu Cardoso Gonçalves
O governo Estado recebeu nesta segunda-feira (23), na sede da Bolsa de Valores (B3), os envelopes com as propostas das empresas interessadas na construção do novo Centro Administrativo dos Campos Elíseos, que nos próximos anos deverá abrigar a sede do governo e as secretarias estaduais hoje sediadas no Palácio dos Bandeirantes e em pelo menos 40 endereços espalhados pela cidade. A obra, de sete torres e 10 edifícios, é projetada especialmente para acolher o gabinete do governador, secreetarias e órgãos estaduais. Segundo o secretário Guilherme Afif Domingos, os trabalhos deverão se estender por três anos e têm por objetivos principais, além de reunir os serviços do Estado, tornando-os de melhor acesso à população, promover a revitalização do centro da cidade. O conjunto deverá ser movido por 22 mil servidores estaduais que hoje operam os serviços nos diferentes pontos da cidade. Lembra o secretário que na nova configuração o governo do Estado se tornará mais disponível à população. O cidadão não precisará mais atravessar a cidade para ir de uma a outra repartição; o fará apenas atravessando a rua ou a praça.
O sistema de construção da nova sede governamental será através de parceria publico-privada, onde o Estado cuida das formalidades de concepção e implantação, o parceiro privado custeia a obra e terá em mãos os imóveis para administrar por tempo determinado e receber aluguéis do Estado utilizador. O leilão dos participantes dessa concorrência está marcado para a quinta-feira, também na sede da Bolsa. A partir de então, resolvidas as pendências, começará a implantação das obras assim como os trabalhos conjuntos com a Prefeitura para a observância de empreendimetos conjuntos, do Plano diretor e de medidas que, entre outras coisas levem ao processo revitalizador. Técnicos em urbanismo advertem que os realizadores do projeto não podem se esquecer ou negligenciar no aspecto de repovoamento da região. Lembram que o centro paulistano é normalmente movimentado durante o dia, mas o ideal será criar condições para a população – especialmente os trabalhadores da área – voltar a habitar o lugar e com isso garantir a vida durante as 24 horas do dia.
São Paulo e a grande parte das cidades brasileiras sofreram, ao longo das ultimas décadas, o processo de desconcentração de suas regiões centrais. Em muitas localidades estabeleceu-se o deserto fora do horário comercial a vida tornou-se perigosa. Muitos imóveis se deterioraram e perderam suas finalidaes iniciais. São Paulo já tem o programa habitacional que vem recuperando imóveis da zona central, o que leva a crer que em breve a nova poipulação devolverá vida ao local.
Recorde-se que o Palácio dos Campos Elíseos, que fará parte do conjunto e dará nome ao centro administrativo, foi sede do governo p (inclusive moradia do governador) entre os anos de 1915 e 1967, quando foi atingido por um incêndio e as funções foram transferidas para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Viveu momentos tensos como as Revoluções de 1924 e Constiutucionnalista de 1932. Debelado o incêndio de 1967, passou por restaurações e hoje abriga a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado.
Embora haja muito questionamento sobre o que se fará do Palácio dos Bandeirantes depois que o novo Campos Elíseos estiver pronto, o govewrnador Tarcisio Gomes de Freitas – que mora na área residencial do imovels – tem evitado falar sobre o assunto. Parece ser consenso, no entanto, que a sua utilidade como sede do governo já está vencida, principalmente por não dispor de espaço para abrigar uma grande parte dos serviços estaduais.
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Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo