Economia – Endividamento segue alto entre pequenas e médias empresas

Após três anos de recordes sucessivos de Recuperação Judicial, 2026 segue desafiador para as pequenas e médias empresas. Segundo Luiz Barbosa, diretor comercial da W1 Business, consultoria especializada em planejamento financeiro e gestão estratégica para pequenas e médias empresas, esse é o ano de “arrumar a casa” e fazer planejamento tributário para se preparar para o possível aumento da carga tributária, que entra em vigor em 2027.

No entanto, um levantamento feito pela consultoria mostra que para muitas empresas, essa ainda não é a realidade. Isso por conta do alto endividamento, em boa parte usado para capital de giro. “Muitas dessas empresas vendem o almoço para comprar o jantar, por conta de falta de clareza financeira. Soma-se a isso a elevada taxa de juros, que aumenta o custo da dívida”, explica Barbosa.

O levantamento da W1 Business com 134 pequenas e médias empresas de diversos setores, entre eles comércio (varejo e atacado), indústria, transporte, serviços e construção civil, mostra um retrato preocupante: 59% delas (79 empresas) estão endividadas. Apenas 4 em cada 10 empresas da amostragem não estão endividadas, contra uma média de 6 endividadas. Em média, as empresas que fazem parte da amostragem faturam R$ 8,62 milhões ao ano e a dívida média orbita em R$ 2,54 milhões.

Entre os setores, chama a atenção a alavancagem de setores como logística e transporte, com 12,2% de sua receita anual comprometida com dívidas de curto prazo, com vencimento em 12 meses, comércio varejista, com 7,3% das receitas carimbadas para o pagamento de dívidas nos próximos 12 meses, indústria, com 3,9% da receita destinada ao pagamento de dívidas no curto prazo, além de companhias do setor de serviços, com 5,5% das receitas destinadas às dívidas.

Entre as endividadas, 64% estão em dia com o pagamento de dívidas, 13% em atraso inferior a 30 dias e 23% estão inadimplentes há mais de 30 dias, um sinal amarelo.

Analisando a saúde financeira, 43% estão em etapa crítica, com grande potencial de quebra. Ou seja, uma média de 4 em cada 10 empresas de amostragem.

Em um recorte por porte, as pequenas têm quase 8% do orçamento comprometido com o pagamento de dívidas e as médias, quase 5%. A média geral é de 5,3%. A média do prazo do vencimento das dívidas é de 33 meses.

Considerando um cenário em que a taxa básica de juros (Selic) deve continuar pressionando o custo da dívida, com dois dígitos ao final de 2026, o cenário ainda é desafiador para as pequenas e médias empresas e aponta a tendência de manutenção e ou alta das RJs e falências.

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