Alzheimer – Maioria dos casos poderia ser evitada, afirma neurologista

Neurologista da Santa Casa, Ricardo Gregolin explica sintomas, diagnóstico e formas de prevenção da doença que afeta memória e autonomia. CRÉDITO: Divulgação

A doença de Alzheimer representa um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo o neurologista Ricardo Gregolin, da Santa Casa de Piracicaba, o diagnóstico precoce e hábitos saudáveis são fundamentais para retardar a progressão da doença.

“O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que causa sintomas como dificuldade de raciocínio e memória, comportamentos anormais ou confusão mental, prejudicando a pessoa em suas tarefas diárias e na sua autonomia”, explica Gregolin.

A doença ocorre por intermédio do acúmulo de proteínas beta-amilóide e tau fosforiladaem neurônios algumas regiões do cérebro, levando a morte neuronal ao longo do tempo. As causas ainda não estão totalmente definidas, mas existe um componente genético, principalmente nos casos em que a doença se manifesta antes dos 60 anos.

Fatores de risco e sintomas

“O Alzheimer não é uma doença puramente genética. A maioria dos casos está relacionada a fatores de risco adquiridos”, afirma o neurologista. Entre os principais estão idade elevada, hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, sedentarismo e baixo desenvolvimento cognitivo.

Os primeiros sinais costumam ser sutis. “É comum o paciente repetir a mesma pergunta várias vezes, ter dificuldade para acompanhar conversas ou pensamentos complexos, apresentar redução do vocabulário e dificuldade para resolver problemas do cotidiano, como pagar contas ou organizar compras”, descreve o médico.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO – O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica criteriosa. “Inicialmente avaliamos as queixas e os sintomas do paciente. Posteriormente realizamos testes cognitivos validados, como o Mini Exame do Estado Mental, Moca Test dentre outros para avaliação objetiva dessas queixas. Em casos selecionados, a avaliação neuropsicológica”, explica Gregolin.

Embora não exista cura, o tratamento disponível ameniza os sintomas. “Os principais medicamentos utilizados são os anticolinesterásicos, como Donepezila, Rivastigmina e Galantamina, que aumentam o neurotransmissor acetilcolina cerebral. Existe também a Memantina para casos moderados e avançados. Recentemente foram lançados no mercado anticorpos monoclonais, uma nova classe terapêutica, porém somente para casos iniciais”, detalha o neurologista.

“Além de medicações, o cuidado da equipe multiprofissional é essencial no tratamento da doença, por meio de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, educadores físicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais”, acrescenta.

Prevenção é possível

“É comprovado que a maioria dos quadros de demência poderia ser evitada se adotássemos um estilo de vida mais saudável e ativo”, afirma o neurologista.

As principais medidas de prevenção incluem dieta equilibrada, bem como a conhecida dieta do mediterrâneo, atividades físicas regulares, evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool, controlar hipertensão, diabetes e colesterol, além de priorizar o desenvolvimento cognitivo contínuo e, principalmente a socialização.

“É válido manter o cérebro sempre ativo por meio de leitura, jogos de raciocínio e aprendizado de novas habilidades. Evitar o isolamento social também é importante”, recomenda Gregolin.

O neurologista reforça que, em caso de suspeita, é fundamental buscar avaliação médica. “O diagnóstico precoce é importante para iniciar o tratamento e amenizar os sintomas da doença, elevando a qualidade de vida do paciente”, conclui.

 

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