
Autor piracicabano, Renan Costa de Negri lança romance que relata casos em que presos políticos foram enviados para manicômios
Nesta sexta-feira, 6/2, a partir das 18 horas, a literatura brasileira ganha mais uma obra necessária que mergulha em um daqueles capítulos sombrios e pouco discutidos da história recente do país. O cientista social, artista e professor Renan Costa de Negri lança seu terceiro livro, Memórias Enterradas: vidas esquecidas, em um evento aberto ao público no histórico Bar Cruzeiro, tradicional espaço cultural de Piracicaba. A entrada é gratuita e o livro estará à venda no local.
Após a escrita de Existências Rebeldes (volumes 1 e 2), Negri volta-se à ficção histórica para dar voz a quem o Estado tentou silenciar. O novo romance explora o uso de manicômios como instrumentos de tortura e repressão política durante a ditadura militar — uma estratégia cruel de controle sobre mentes e corpos dissidentes.
A ORIGEM DA PESQUISA – A semente que deu origem ao livro foi plantada em 2022, quando o autor, em pesquisas no Arquivo Nacional, deparou-se com registros de presos políticos que, após as violências infligidas nas sessões de tortura, eram enviados às instituições psiquiátricas durante a ditadura civil-militar.
O interesse pelo tema crescia enquanto Renan lia reportagens da jornalista Amanda Rossi, que mapeou 24 casos de abusos no período. Após um hiato para a conclusão de outros projetos, o livro ganhou corpo durante o ano de 2025.
O autor, conhecido por seu olhar histórico e crítico sobre a ditadura civil-militar, traz na bagagem a participação e experiência de produção e pesquisa no documentário “Não é Permitido: um recorte da censura ao Punk Rock no Brasil”, que apresenta entrevistas com artistas do gênero sobre os processos de tentativa de silenciamento das bandas paulistas.
PESO DA REALIDADE – Renan destaca que a obra, embora ficcional, carrega o peso da realidade. “Este livro traz para a ficção uma história indigesta de nosso país e ainda pouco explorada. Pode haver muito mais a descobrir sobre o tema e é urgente resgatarmos o passado para não permitir que abusos como esses se repitam, ou ganhem força na sociedade e na política em geral”, afirma.
O autor fala sobre as influências e o protagonismo feminino na narrativa. “A violenta história dos manicômios no Brasil me chamou a atenção ao entrar em contato com o livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, quando iniciei minha carreira docente, e também pelos relatos de minha mãe sobre visitas a um manicômio quando trabalhava na vigilância sanitária”, diz.
“A escolha por uma jornalista como protagonista buscou respeitar o fato de que foram delas [Amanda Rossi e Daniela Arbex] que abracei algumas fontes para a narrativa”, aponta Renan.
Nesta semana, o autor divulgará em suas redes sociais trechos de algumas de suas fontes e espera ajudar o leitor a compreender um pouco mais dessa história marcante.
SERVIÇO
Lançamento do livro Memórias Enterradas: vidas esquecidas, de Renan Costa de Negri, sexta-feira, 6, no Bar Cruzeiro (Rua Moraes Barros, 1321), a partir das 18 horas