E O IPPLAP? – I
Depois das chuvas, a tragédia. Neste caso, a morte de um motociclista. O roteiro é antigo e repetitivo. Agora, o prefeito Helinho Zanatta (PSD) corre, ao lado do secretário de Obras, Luciano Celêncio, com o objetivo de atender às emergências. Nas redes sociais, o chefe do Executivo explica que “choveu muito”; foram 70 milímetros de água em apenas 40 minutos. De fato, é muita chuva. Mas fica a pergunta: e o planejamento urbano?
E O IPPLAP? – II
Criado no segundo mandato do ex-prefeito José Machado, entre 2001 e 2004, o Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba, conhecido como Ipplap, nasceu com o intuito de orientar a ocupação urbana da cidade, mas ao longo dos anos de Barjas Negri (PSDB) foi esvaziado até ser liquidado pelo ex-prefeito Luciano Almeida. Desde então, as mudanças climáticas geraram cada vez mais eventos extremos. Fica a pergunta: e o Ipplap?
E O IPPLAP? – III
Não se trata apenas de implicância de um velho e idoso Capiau, mas de uma questão urgente em uma cidade que se expande como Região Metropolitana e o seu poder público vive de projetos de arremedo, sem pensar a expansão a urbana de forma madura, olhando o futuro e, sobretudo, a segurança da população que fica refém quando as chuvas se avolumam. É hora, sim, de pensar na recriação do Ipplap e no planejamento urbano.
E O IPPLAP? – IV
Não precisa ser muito especialista para perceber que, ao longo dos anos, a cidade vem sendo tomada pela impermeabilização, com cada vez mais expansão de concreto e asfalto. Este Capiau, idoso e cansado, sabe que o desenvolvimento é necessário, mas freios e contrapesos, baseados na realidade geográfica, e não apenas no interesse financeiro, o piracicabano terá que viver cada vez mais em uma cidade insalubre e inviável.
ZEZINHO
O vereador Zezinho Pereira (União Brasil) sugere também a criação da Secretaria Municipal de Defesa Civil, com objetivo de enfrentar momentos de catástrofes climáticas, como a cidade enfrentou na noite desta quinta-feira (29). “Apelo ao prefeito para que seja estudada a possibilidade da criação da Secretaria da Defesa Civil, visando ações preventivas, planejamento e maior preparo frente a eventos climáticos extremos”, disse. A recriação do Ipplap bastaria, nobre edil.
SOLIDARIEDADE
Este Capiau não vai especificar as lideranças para não ser algo pessoal, já que o objetivo é contribuir para que a classe política tenha um mínimo de lucidez diante das situações críticas pelas quais passa a população. De pouco vale a solidariedade dos nobres edis se não for acompanhada de trabalho mais eficaz na prevenção a eventos climáticos extremos na cidade. Fora disso, a solidariedade vira demagogia.
CHUVA — I
Na noite de quinta-feira (29), a chuva resolveu cair em Piracicaba como se tivesse raiva acumulada. Caiu muito. Caiu demais. O resultado foi destruição de vias públicas e cenas dignas de filme de desastre. Infelizmente, em meio ao caos, um motociclista, tentando preservar o próprio patrimônio, acabou sendo levado pela força da enxurrada e veio a óbito, uma tragédia que entristece toda a cidade. São as nuvens…
CHUVA — II
Já este idoso e cansado Capiau, como não é bobo nem nada, não saiu de casa. Permaneceu em total segurança, devidamente acomodado em sua poltrona, com os pés no puf, acompanhando tudo pelos canais digitais e agradecendo silenciosamente por ter escolhido o conforto do lar em vez de enfrentar a fúria aquática que tomou conta da cidade.
EQUÍVOCO — I
O prefeito Helinho Zanatta (PSD) esteve na avenida Armando de Salles Oliveira, nas proximidades do Clube de Campo de Piracicaba, na noite de quinta-feira (29), acompanhado do secretário de Obras, Luciano Celêncio, para verificar os danos causados pelas fortes chuvas que castigaram a cidade.
EQUÍVOCO — II
Até aí, tudo certo. O único detalhe, pequeno, mas ruidoso para os ouvidos piracicabanos, foi quando o prefeito se referiu à Ponte do Mirante como “Ponte do Beira Rio”. Um equívoco compreensível para quem está chegando agora, embora um tanto curioso para alguém que, tecnicamente, já carrega no currículo o cargo de prefeito de Piracicaba.
EQUÍVOCO — III
Afinal, errar o nome da ponte é humano, mas em Piracicaba sempre tem alguém pronto para corrigir, com todo respeito e com um sorriso no canto da boca. E as nuvens continuam carregadas para o lado do nobre alcaide da cidade. Esta coluna está para colaborar com nobre prefeito Helinho, pois reconhece seus esforços, apesar das muitas dificuldades políticas e culturais.
PRESIDÊNCIA — I
Enquanto a direita tenta montar um cardápio variado de pré-candidatos à Presidência da República — com Ratinho Junior (PSD), Ronaldo Caiado (PSD), Eduardo Leite (PSD), Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL) — a esquerda segue firme, forte e sem crise de identidade, unida em torno da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
PRESIDÊNCIA II
Nos bastidores de Brasília, os mais experientes analistas políticos resumem a situação com certa ironia: enquanto a esquerda joga em time único, a direita parece disputar um campeonato interno, cada um correndo em uma raia diferente e, às vezes, em direções opostas.
PRESIDÊNCIA — III
A cena lembra, guardadas as devidas proporções, o sempre animado MDB de Piracicaba, onde a divisão é tanta que, se juntar todo mundo numa sala, talvez não saia consenso nem sobre o horário do café. Em resumo: a esquerda vai de ônibus fretado; a direita, de Uber ou 99 cada um para um destino diferente. E tem o secretário Gilberto Kassab, hoje poderoso negociador em Brasília e em São Paulo, com possível candidato a vice de Lula. É mole?
EXPLICANDO…
Nesse caso com Kassab, daí seria Fernando Haddad (PT) pré-candidato ao Governo, com Márcio França (PSB) vice, e Geraldo Alckmin (PSB) e Simone Tebet (MDB) para as duas vagas no Senado Federal. E virão nuvens por aí.
REELEIÇÃO — I
Enquanto, no plano nacional, a direita ensaia uma disputa interna digna de reality show para definir quem será candidato à presidência da República, em São Paulo o roteiro é bem mais simples e previsível. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já avisou que vai tentar a reeleição. Ponto final. Sem suspense, ou seja, assunto encerrado.
REELEIÇÃO — II
A verdadeira novela paulista não é quem será o candidato ao governo do Estado pela direita, mas quem se sentará no banco do carona da chapa. E aí a disputa esquenta entre dois partidos: o PSD, comandado por Gilberto Kassab, e o PL, presidido por Valdemar da Costa Neto. Mais nuvens…
REELEIÇÃO — III
Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, o clima é de déjà-vu: a tendência do governador é manter o PSD com a vaga de vice, respeitando a coligação firmada em 2022. Já o PL, com a empolgação de quem tem a maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) e o selo oficial do bolsonarismo, pressiona como quem diz: “se é pra dividir o bolo, queremos a maior fatia”. O nome do partido para a vaga seria o do atual presidente da Casa, deputado André do Prado.
REELEIÇÃO — IV
Fontes próximas ao governador e integrantes do PSD garantem que Tarcísio prefere manter o atual vice, Felício Ramuth, na chapa, afinal, em time que está ganhando, não se mexe, principalmente quando o jogo ainda nem começou. Já Kassab, experiente jogador do tabuleiro político, não faz muito esforço para esconder o plano de longo prazo: manter o PSD colado no poder agora para, em 2030, tentar sentar-se na cadeira principal, caso Tarcísio de Freitas resolva trocar o Palácio dos Bandeirantes pelo Palácio do Planalto.
DENIS
O secretário nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Denis Andia estará em Piracicaba neste sábado, 31, às 9h, para um café da manhã. Andia é suplente de deputado federal pelo MDB e foi prefeito de Santa Bárbara D’Oeste por dois mandatos. Com certeza, vai disputar a Câmara Federal novamente. Sempre bem-vindo.
TORRENCIAIS
As águas escoam, não tendo por onde ir entram nas casas, avolumam-se em baixadas, carregam lixo acumulado nas calçadas. Por quê? Choveu demais. Não. Foi falta de planejamento, prevenção, cuidados com o solo urbano, excesso de cimento e asfalto onde não deveria haver, estreitamento e destruição das orlas dos rios e corpos d’água. Não adianta plantar uns coqueiros e atrás um condomínio seco e refratário. A administração municipal tem de pensar ao menos em mitigar a crise climática e parar com essa infantilidade de não conversar com a oposição e sociedade. Ontem, perdeu-se a vida de um senhor de moto devido à forte enxurrada, talvez estivesse trabalhando, então que a administração trabalhe também para evitar. Não adianta vir no dia seguinte lamentar e criticar São Pedro, o santo e não a vizinha cidade. (Camilo Irineu Quartarollo)