PRIMEIRO – I
Líder da base do governo na Câmara, o vereador Josef Borges (PP) é o primeiro a ser pego usando carro locado pelo Legislativo de maneira, no mínimo, questionável. É que o edil usou o veículo para colocar uma roçadeira no porta-mala (que ficou aberto!) e foi cortar a grama de uma área pública no Distrito de Ártemis, seu reduto eleitoral.
PRIMEIRO – II
O problema é que, além de transportar a roçadeira de maneira incorreta, o que poderia acarretar uma infração de trânsito (com multa e perda de pontos na CNH), o vereador está sendo questionado por ter utilizado o carro – voltado a auxiliar no trabalho legislativo, como estabelece o Ato da Presidência – fora daquilo que é visto como atividade parlamentar.
PRIMEIRO – III
Josef Borges se explicou dizendo que, mesmo antes de ter sido eleito, pela primeira vez, em 2020, ele já realizava trabalhos de zeladoria no Distrito de Ártemis – e aqui, vale lembrar, o trabalho desenvolvido por ele, junto à comunidade, na lagoa daquela região – e que utilizar o carro para levar a roçadeira faz parte desta atividade já tradicional.
PRIMEIRO – IV
Mas como diz o velho ditado, “de boa intenção, o Inferno está cheio”. O vereador tem a prerrogativa de cobrar, e exigir, que a Prefeitura de Piracicaba, a partir de sua equipe de limpeza – custeada por um polpudo contrato com empresa terceirizada – faça o trabalho de jardinagem nos espaços públicos da cidade. O que Josef fez chama-se demagogia.
PRIMEIRO – V
Aliás, este Capiau, idoso e cansado, lança um questionamento, mais do ponto de vista político, ao nobre edil. De que vale ser líder de governo na Câmara se não consegue nem um mísero corte de mato para o Distrito de Ártemis? Está na hora de, no mínimo, rever a sua capacidade política de negociação. Ou, pior ainda, a falta desta capacidade. Precisa conversar mais com o prefeito Helinho Zanatta (PSD).
PRIMEIRO – VI
Nos bastidores da política, já se fala que Josef Borges é “apenas o primeiro” vereador a ser denunciado por uso ilegal dos carros alugados pela Câmara e que outras irregularidades semelhantes podem surgir. Neste caso, este Capiau, idoso e cansado, não trabalha com “achismo”, e sempre conta com o bom senso dos atuais membros do Legislativo. Em princípio, todos são dedicados.
MULTIFUNÇÃO — I
Em Piracicaba, a advocacia pública parece ter adotado o modelo “faça você mesmo”. Assessores, escriturários e contratados exercem funções típicas de procuradores, enquanto o concurso público assiste de camarote, provavelmente sem OAB, mas com paciência. A Constituição Federal fala em unicidade da representação jurídica.
MULTIFUNÇÃO — II
Por aqui, ao que tudo indica, a interpretação é mais plural: quanto mais gente assinando parecer, melhor. Nem o STF imaginou tamanha criatividade hermenêutica. Tem servidor que é escriturário, gerente, assessor e, quando precisa, procurador. Falta apenas acumular o cargo de vidente para prever quando a conta chega.
CONCURSO
Segundo a representação do Movimento de Combate à Corrupção em Piracicaba, assinado por Walter Koch (MDB), basta ter uma carteirinha da OAB e boa vontade. Investidura no cargo? Isso fica para os livros de Direito Administrativo, aqueles que ninguém anda consultando.
HERANÇA
Ex-prefeito e atual prefeito aparecem na lista de notificados. A irregularidade, ao que tudo indica, atravessou gestões, mostrando que certas práticas sobrevivem a eleições com invejável longevidade. Agora a bola está com o Ministério Público. Resta saber se o roteiro termina em ajuste de conduta, ação judicial ou mais um capítulo do seriado “Depois a Gente Vê”. Será tudo ajustado, com certeza, e espera este idoso e cansado Capiau.
CAIADO — I
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (agora no PSD), resolveu deixar o União Brasil em boas mãos, mais precisamente, nas mãos da primeira-dama Gracinha Caiado, que passou a “cuidar” do partido no estado. Separação amigável, com partilha política bem resolvida. Tudo em família, no final.
CAIADO — II
Livre, leve e solto, Caiado já aparece em vídeos sorridente ao lado dos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Junior (Paraná), ambos do PSD. Coincidência? Claro que não. Em política, coincidência costuma ter CPF e estratégia.
CAIADO — III
Nos bastidores, quem realmente parece estar com o controle remoto na mão é o estrategista Gilberto Kassab. Dizem que ele coordena o elenco como quem monta um reality show eleitoral, todos governadores, todos presidenciáveis e todos esperando a próxima chamada de cena. Três governadores, um partido e várias ambições presidenciais. Pelo visto, no PSD não falta candidato. Falta apenas combinar quem se senta na cabeceira da mesa, e quem fica responsável pela pipoca.
CANDIDATURA — I
Diante da chuva de filiações, algumas com cara de desfile, outras de aquecimento, Gilberto Kassab avisou que o PSD não pretende ficar apenas assistindo ao jogo: o partido terá, sim, candidato próprio à Presidência da República. Kassab até desejou boa sorte a Flávio Bolsonaro (PL), mas fez questão de esclarecer que sorte não significa apoio. Quanto ao sobrenome Bolsonaro, o recado foi direto: o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro seguirá a disputa sem o empurrãozinho do PSD.
CANDIDATURA — II
Nos bastidores, Kassab admitia que a prioridade inicial era uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas como o governador de São Paulo já avisou oficialmente que prefere tentar a reeleição, o PSD fez o que sabe fazer melhor: abriu espaço. Resultado? Partido grande, dirigentes animados e fila de interessados. No PSD, o plano é simples: se não der para pegar carona, o jeito é dirigir o próprio carro, mesmo que ainda estejam decidindo quem fica com o volante. Pelo jeito, insinua que quer ser vice na reeleição de Lula.
PSDB — I
Agora no comando da presidência nacional dos tucanos, Aécio Neves voltou a circular com crachá visível dentro do PSDB. Velho conhecido da casa, Aécio já foi candidato à Presidência da República em 2014, quando acabou derrotado pela então presidente Dilma Rousseff (PT), eleição que até hoje rende debates, recursos e lembranças nada discretas.
PSDB — II
Neto do ex-presidente Tancredo Neves, Aécio agora tem novo roteiro: rodar o país como quem revisita antigas filiais, com a missão de montar chapas competitivas para as eleições deste ano. A ideia é simples: reorganizar o ninho, juntar penas soltas e provar que o tucano ainda sabe voar.
PSDB — III
Em Piracicaba, o desenho já começa a ganhar forma. Nos bastidores, corre solto que o vereador André Bandeira será o candidato a deputado estadual pela legenda. O partido, por aqui, é presidido pelo professor da Esalq/USP, José Otávio Machado Menten, o que garante que, ao menos no papel, o PSDB local segue bem adubado. Se vai dar colheita ou só render discurso de safra futura, aí já é outra história. Mas uma coisa é certa: tucano parado não combina com ano eleitoral.
TEMER — I
Enquanto em Piracicaba os membros do MDB seguem batendo cabeça, cada um para um lado e todos olhando por cima do ombro para ver se continuam ou não nos cargos, o partido vive um clássico momento “ninguém sabe, mas todo mundo desconfia”. Para completar o cenário, os vereadores pastores da legenda parecem mais empenhados em defender as bandeiras de suas igrejas do que a do próprio MDB. A sigla, nesse caso, virou quase um detalhe administrativo.
TEMER — II
Já em Brasília, o clima é outro. O deputado federal Baleia Rossi, amigo declarado do presidente da Rádio Educativa FM, André Augusti, reafirmou a importância do nome do ex-presidente Michel Temer como possível candidato à Presidência da República nas eleições deste ano. Ou seja: enquanto o MDB de Piracicaba tenta descobrir quem manda no grupo, a cúpula nacional já discute quem pode mandar no país. Em política, como se vê, a confusão local não impede os sonhos nacionais, apenas muda o endereço do problema. Ou sonha, Temer, com novo entendimento com o PT? Impossível? As nuvens dirão…