Hmm, nova ordem?!

Camilo Irineu Quartarollo

 

“Só queremos esse pedaço de gelo” – disse Trump.

Não era gelo batido e não mexido para uísque, não. É a Groenlândia, com gente em cima. Dos tantos icebergs, montanhas de gelo, boiando por ali, lembram o Titanic. Esse navio era um vapor tecnicamente inafundável, mas havia um iceberg no caminho, ali há mil anos na espera do vapor que, à toda velocidade sem desviar da rota, foi dilacerado. O bloco massivo de gelo teria se originado no sul da Groenlândia, onde habita gente, não somente metais sob a neve se derretendo. Cerca de 1.500 pessoas entre tripulantes e passageiros, morreram congeladas. Tem quem pense que foi Ieti ou o iceberg que atacou o navio!

Em 1812, Napoleão perdeu mais de 600.000 homens e a guerra. Na segunda grande guerra, a Rússia usou da mesma estratégia de seus antepassados. Mais de três milhões de soldados alemães bem treinados perderam para as geleiras russas. Sem poderem recuar, sob fogo russo, os alemães não podiam nem arriar as próprias ceroulas, devido a neve e ventos gelados os quais lhes congelaria pelos fundilhos.

O inverno russo é uma das lições históricas não aprendidas, o da Groenlândia ainda não sabemos. A figura de Trump confunde-se com as de Napoleão ou Hitler, mas talvez o melhor estereótipo seja a Luís XVI. Verdadeira negação da humanidade e dos direitos dos aldeões. Isto até que a Revolução francesa depôs o rei e passou a vicejar o direito humano.

A alegada nova ordem ocidental, encabeçada por Trump e Israel, é a negação total do humano – como faziam os reis absolutistas. Retroagem a Luís XVI. Afrontam o direito do cidadão, conquistado a duras penas na Revolução humanista francesa de 1789 a 1799.

Atualmente, a própria ONU é preterida por um simulacro de “Conselho da Paz” de Trump! Ora, a ONU é o bastião dos Direitos do homem e do cidadão, base das constituições da maioria dos estados modernos democráticos – sem estes direitos não há democracia.

Por outro lado, essa “nova ordem”, do anarcocapitalismo, nega o estado que visa a proteger o cidadão e seus direitos. Fazem em nome de uma “liberdade proprietária”, a propriedade privada como absoluto direito. Nesta propriedade o dono absoluto não prestaria contas de nada ao estado, a Justiça, nem se cometesse crimes. Se mantivesse trabalho escravo em seu quintal, matasse a esposa dentro de casa, manuseasse agrotóxicos proibidos no lugar, plantasse psicotrópicos em sua horta, mantivesse depósito de materiais explosivos ou ilícitos, promovesse a destruição de áreas de preservação permanente (APP) ou desmatamento ilegal e contaminação do solo e recursos hídricos, desrespeitasse recuos obrigatórios ou zoneamento urbano, obstruísse a passagem de servidão de caminho, demolisse o todo ou parte dos bens tombados pelo patrimônio histórico. Querem as propriedades e latifúndios sob sua lei pessoal, a bel prazer, onde o estado não seja soberano, mas o proprietário reine imoralmente ou criminosamente, sem prestar contas.

Esses são os tentáculos do Anarcocapitalismo que nos cercam e de repentinos espantos como os aumentos de impostos, tal o do IPTU em Piracicaba.

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Camilo Irineu Quartarollo, escrevente e escritor, ensaísta, autor de crônicas, historietas, artigos e livros, como Contos inacreditáveis da vida Adulta

 

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