Adilson Roberto Gonçalves
O ano eleitoral começou com uma pesquisa ampla, avaliando o governo Lula e as intenções de votos em vários candidatos para a Presidência, em outubro próximo. Seremos apresentados a pelo menos duas ou três pesquisas desse tipo por mês, uma vez que é interessante – mais do que importante – saber como está o comportamento momentâneo do eleitorado. As validações estatísticas são robustas, desde que as pesquisas sejam feitas por instituições idôneas, deixando bem claro quais são as faixas pesquisadas e as margens de erro.
A pesquisa revelou, de um lado, que continua o equilíbrio entre aprovação e reprovação do governo. O que chega a ser paradoxal, pois um fato que essa pesquisa mais recente mostrou e ninguém comentou é que, em 5 dos 7 cenários avaliados com diversos candidatos da extrema direita, Lula, candidato à reeleição, poderia vencer já no primeiro turno, no limite da margem de erro da pesquisa. Por outro lado, a extrema direita dificilmente irá com mais de um candidato viável à eleição e terá de escolher entre um Bolsonaro e o governador fluminense de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Por outro lado, Tarcísio parece ter abandonado de vez as intenções presidenciais, preferindo se submeter a uma reeleição bem encaminhada, por acomodar interesses da capital e do capital, tendo feito da “Lima” uma doce limonada para os interesses empresariais. A venda das terras públicas de institutos de pesquisa continua a pleno vapor. A precarização da educação segue a cartilha conhecida de piorar para depois privatizar. Recursos públicos até para combater o feminicídio em São Paulo, que integra a tão propalada pauta da segurança pública da extrema direita, foram reduzidos significativamente. O governador também não quer se indispor com os criminosos da familícia bolsonarenta, apesar de ser um legítimo representante deles, apenas não possui o famigerado sobrenome.
Outros extremistas de direita se apresentam e foram testados na pesquisa, a maioria sendo de outros governadores. Até Ciro Gomes chegou um dia a ser cogitado, mas indica que, agora, se dedicará à sucessão em seu estado, Ceará, reintegrado que foi ao quase extinto PSDB.
Se a eleição presidencial vai se moldando em relação a essas forças políticas, os arranjos nos estados e, muito mais importante, para o Parlamento, contam com várias indefinições. Todos os deputados (federais, estaduais e distritais) têm o mandato encerrado no início de 2027 e, se quiserem manter o cargo e as benesses, precisam se submeter ao escrutínio popular da urna eletrônica. Para o Senado Federal, haverá renovação de dois terços, e o TSE já iniciou campanhas de esclarecimento para lembrar que temos de votar em dois nomes desta vez.
Por enquanto são balões de ensaio incluindo as eleições para o Senado. Por parte dos progressistas em São Paulo, nomes como os dos ministros Fernando Haddad, Geraldo Alckmin e até Simone Tebet têm engrossado o rol de possibilidades, a depender dos arranjos para a chapa com Lula e das forças e palanques pelos demais estados.
Não será uma eleição simples, isso é fato.
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Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp – Rio Claro