JORNAL CAPIAU
O jornal CAPIAU celebra os 35 anos de carreira de Érico San Juan, trazendo uma seleção de charges, caricaturas e quadrinhos do cartunista, além do resgate de uma entrevista do autor com Moacyr Franco.
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16-01-Buracos (genoveva)- PRIMEIRA
Crédito: Leitor do Capiau
BURACOS, SENHOR PREFEITO
Esquina da Rafael Aloise com Barão de Valença. Esquina dos plantadores de cana, onde passam muitas pessoas a caminho do Hospital. “Já quase caí no local”, afirma leitora deste idoso e cansado Capiau. É preciso que a Prefeitura Municipal tome providências, e o prefeito Helinho Zanatta (PSD), com certeza, vai anotar este recado e tantos outros que chegam na Casa Amarela.
RESPOSTA — I
Em resposta ao secretário Municipal de Assistência, Desenvolvimento Social e Família, Edvaldo Brito (Avante) — que disse que as prefeituras de Rio Claro, Limeira e Sorocaba enviam moradores em situação de rua para Piracicaba —, a Prefeitura de Limeira esclareceu que não possui serviços de “frete e carreto de pessoas em situação de rua”, tampouco opera qualquer modalidade de “despejo municipal”.
RESPOSTA — II
A Prefeitura de Rio Claro por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, informou que a denúncia feita por Edvaldo Brito não corresponde à realidade e que a cidade azul não realoca pessoas para municípios vizinhos. A administração municipal informa ainda que apura o caso específico mencionado e lamenta que acusações tenham sido divulgadas antes de uma apuração adequada. “Rio Claro segue comprometida com atendimento humanizado, respeito e responsabilidade social, sem precisar criar ‘rodoviária assistencial clandestina’”.
RESPOSTA — III
A Prefeitura de Sorocaba, por meio do programa HumanizAção, esclareceu que não realiza remoção involuntária de pessoas em situação de rua para outros municípios, inclusive porque, além de ser moralmente errado, isso é proibido pela Legislação Federal e não faz parte do manual “como arrumar confusão”. Sorocaba reforçou que qualquer deslocamento de pessoas ocorre dentro dos critérios legais, técnicos e, principalmente, com a vontade do próprio atendido.
RESPOSTA — IV
Enquanto isso, este idoso e cansado Capiau segue de olho, com uma sobrancelha levantada e a outra em modo “isso ainda vai render”, aguardando as próximas manifestações sobre esse assunto delicado, levantado por Edvaldo Brito, presidente do Diretório Municipal do Avante e secretário do prefeito Helinho Zanatta (PSD).
RESPOSTA — V
Porque, nesses casos, o céu costuma fechar rápido: nuvens carregadas no horizonte, com previsão de trovões, raios e muita chuva… daquela bem generosa, que não molha só a calçada, alaga, principalmente, a Praça Sírio-Libanesa, que já deve estar com o barco inflável pronto e o colete salva-vidas separadinho.
CONFIRMADO — I
Quem ainda alimentava a esperança de ser o candidato a deputado estadual com o apoio da Igreja do Evangelho Quadrangular em São Paulo e, de quebra, ganhar o aval do presidente estadual, o todo-poderoso pastor Toninho Stefan, já pode tirar o cavalinho da chuva e, se possível, guardar também a sela, o chapéu e a ilusão.
CONFIRMADO — II
A bênção (e a vaga) já tem dono: o genro “2”, pastor Lucas Flores, foi o ungido do presidente para ocupar o espaço deixado pelo agora conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o ex-deputado Carlos Cézar, que precisou se desfiliar do PL para assumir o cargo. Ou seja: teve fila, teve expectativa, mas a escolha foi por revelação familiar.
CONFIRMADO — III
Os candidatos da Igreja Quadrangular já estão definidos e a escalação mistura figura carimbada com novato estreante. Para deputado federal, entra em campo o eterno Jefferson Campos, que vai disputar nada menos que o sétimo mandato. Um verdadeiro “modo replay” da política: terminou um, já começa outro… e o homem segue firme, como quem tem cadeira com nome gravado.
CONFIRMADO — IV
Já para deputado estadual, o escolhido é o pastor Lucas Flores, que chega como novato na briga por uma vaga no famoso Palácio Nove de Julho. E, segundo informações fresquinhas que este Capiau recebeu, direto do rádio-corredor e com checagem no “confia”, Lucas Flores já foi vereador em Jaú, mas agora atua como superintendente na região de São José dos Campos. Ou seja: um vai para mais uma rodada de “repeteco”, e o outro entra na disputa com cara de “primeira vez, mas já com currículo”.
GENROS — I
Nos bastidores da política, muita gente anda dizendo que os dois genros do líder estadual da Igreja Quadrangular foram premiados na famosa “loteria do matrimônio” e, pelo visto, acertaram na Mega-Sena com aposta simples. O genro “1”, por exemplo, atualmente ocupa o cargo de assessor especial da presidência da Câmara Municipal de Piracicaba, com salário de R$ 13.044,84, conforme consta no Portal da Transparência do Legislativo piracicabano.
GENROS — II
O genro “2” também não ficou para trás: é pastor, superintendente e ainda ocupa cargo no Conselho Estadual da Igreja Quadrangular. Currículo de respeito, quase um “combo completo” com direito a bônus e atualização automática. E, se for eleito deputado estadual, o que é bem possível, principalmente com aquela ajudinha do famoso “voto de cabresto”, que em certos lugares ainda passeia solto por aí, o genro “2” passará a receber um salário aproximado de R$ 34.774,64, conforme o Portal da Transparência da Alesp.
CABRESTO — I
E, daqui a pouco, começam aqueles eventos que só existem em ano de eleição dentro da Igreja Quadrangular no Estado inteiro: reunião pra cá, encontro pra lá, “momento cívico-espiritual” acolá… tudo com aquele jeitinho de campanha disfarçada de agenda ministerial. Protestantes conhecem bem o assunto.
CABRESTO — II
O objetivo é claro: pedir voto para os dois candidatos oficiais. E alguns pastores não economizam na sinceridade: deixam bem explicado que quem não votar nos ungidos do pastor Toninho Stefan está correndo risco de entrar na categoria “desobediente”, e aí já vem o pacote completo: maldição, céu fechado e bênção em modo tico e teco.
CABRESTO — III
Só que, na prática, tem muita gente que escuta isso por um ouvido e solta pelo outro, fazendo aquela cara de “amém” na frente… e escolhendo o candidato no silêncio da urna. Resultado: às vezes os “oficiais” não levam todos os votos que esperavam. Mas, mesmo assim, num panorama estadual, a conta costuma fechar: no fim das contas, quase sempre são eleitos, porque fé é fé, mas estrutura é estrutura.
MORUMBI — I
Quem resolveu pular fora desse enredo eleitoral foi o pastor César Graciani, que dirige a enorme Igreja da Família Morumbi (a ex-Igreja Quadrangular). Este idoso e cansado Capiau não sabe ao certo qual foi o motivo dessa retirada estratégica, se foi por revelação, por cansaço, ou só porque ninguém aguenta mais ano eleitoral mesmo.
MORUMBI — II
Mas o fato é que, agora, o pastor César Graciani pode se dedicar com tranquilidade a uma missão bem mais leve: pregar o Evangelho de Jesus Cristo, sem precisar virar cabo eleitoral de terno e microfone na mão. Claro, sejamos sinceros: todo mundo sabe que ele vai apoiar alguém, porque política é igual futebol, todo mundo tem um time. Mas pelo menos dá para fazer isso sem teatro no altar, sem “irmãos, o Senhor me mostrou o número da urna”, ou até mesmo fazer a encenação das cadeiras vazias e sem transformar culto em comício disfarçado. Isso mesmo.
CABO ELEITORAL
E tem mais: a gente sabe que é proibido pedir voto dentro das igrejas, mas a grande maioria dos pastores pede voto, leva candidatos e ainda coloca o candidato no altar. Acontece tanto que já parece até uma tradição não oficial. Só fica aqui o pedido humilde deste Capiau: que o TRE não esteja lendo isso agora.
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Crédito: Divulgação
SUPERAÇÃO
O secretário municipal de Desenvolvimento Social, Edvaldo Brito, recepcionou o grupo de Criciúma, Santa Catarina, para troca de ideias sobre o Projeto Superação. Já Limeira e Rio Claro contestam envio de pessoas em situação de rua para Piracicaba.