Eloah Margoni
Interessada nas bases primevas do escotismo, fiz enquete de como a população vê tais grupos, difundidos que ainda são. Alguns falaram em “biscoitos de bandeirantes”, como piadas irônicas de filmes. Mencionaram-se rapazes de lenços nos pescoços ajudando velhinhas a atravessarem as ruas. Todos devemos fazer isso, aliás; ajudar idosos, portadores de deficiências, e necessitados em geral, animais em perigo. Não é preciso usarmos uniformezinhos para isso. Solidariedade neste mundo deve existir, e não se limitar aos seres humanos, mas sim expandir-se para outros seres vivos que sofrem, e ao meio ambiente também.
Estarmos “sempre alertas”, lema do escotismo por sinal, é necessário a qualquer um. Para não sermos atropelados nas avenidas e rodovias da morte que cortam nossas cidades e vidas, para evitarmos assaltos; até sabermos em quem votar. Bem curiosa é a origem do escotismo. A atividade foi criada em 1907 por um militar inglês, Robert Baden Powel. E todos sabemos bem o que os ingleses costumavam fazer por aqueles tempos; nada era louvável. Mahatma Gandhi não nos deixaria mentir! Vai daí, o colonialista e usurpador Baden resolveu criar um movimento para treinar jovens, a fim destes lidarem com ambientes e ecossistemas diferentes dos seus, potencialmente bem mais adversos. Isso somente pela sanha expansionista da potência bélica da época, a Inglaterra. Ou seja, formar jovens para continuarem com os malfeitos pelo mundo afora. Apesar da horrorosa proposta original, ou até mesmo exatamente por causa dela, o escotismo perdura até os dias de hoje. Tornou-se algo social, de lazer, jogos e desafios, instruções de menores relevâncias; com tintas de patriotismo convencional , escudando-se em “segmentos influentes” da sociedade.
Não vemos, pelo menos em nossa cidade, bem entendido (e perdoem-me se nalgum lugar for diferente), escoteiros envolvidos em plantios de árvores, em limpeza de margens de rios ou de lugares públicos, dando cursos de reciclagem de materiais, de compostagem, de clima, de construções alternativas; em cuidados de pessoas carentes; algo para a população. Nunca estão nos protestos pelas mortes de peixes, ou noutras situações prementes. Vejo usarem concessão de área pública para suas festas; e o isolamento e trancamento desta área, impossibilitando que cuidadores de gatos, lá abandonados há muito tempo, tenham acesso a ela no trato dos pobres felinos. Isso não é decente nem legal. Infelizmente é o que tem acontecido. Sabemos que existem muitos outros grupos, os culturais por exemplo, organizações oficiais de bem maior relevância na cidade, como a defesa civil também, que podem, deveriam mesmo lutar usando as vias legais, para obterem tais áreas. Questionarem concessões dadas a perderem de vista, a prazo de égua, ad eternum, para o exercício de exclusão e de conhecimentos menos importantes do ponto de vista social ou de proteção animal, para um pequeno grupo de jovens “iniciados”. Coisa mais fora de moda!
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Eloah Margoni, médica