Entrevista – Prefeito Helinho Zanatta analisa os seus sete meses da Administração Municipal

Edirley Rodrigues, Helinho Zanatta e Evaldo Vicente, durante revista no gabinete – Foto: Divulgação

A Tribuna Piracicabana — seu diretor, Evaldo Vicente, e o colunista Edirley Rodrigues — marcou encontro com o prefeito Helinho Zanatta somente depois de seis meses de Administração Municipal, para que pudesse resumir o que foi feito nesse tempo. Ex-prefeito de São Pedro e de Charqueada por oito anos em cada município, tendo sido vice-prefeito de Charqueada, e deputado estadual eleito em 2022, Zanatta foi a novidade da política local, ao vencer as eleições municipais. Assim, vencedor em sete eleições, Helinho assumiu Piracicaba com inúmeros desafios, que são comentados nesta entrevista de mais de uma hora, destacando-se a falta de água no início do seu mandato, o que prejudicou muito os trabalhos de atendimento ao cidadão. “Em nossa gestão, em menos de seis meses já foram investidos mais de R$ 30 milhões no Semae, valor que deve chegar a R$ 123 milhões até o final do ano”, afirma, contente com os enfrentamentos. Quanto à política partidária, filiado ao PSD do secretário de Governo do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab, não fez qualquer referência.

Como estava a situação do abastecimento de água quando o senhor assumiu a Prefeitura? O que foi feito nesse período para resolver esse problema?

Resposta – Resolver o problema da falta de água no município foi o meu primeiro e grande desafio. Assim que assumimos, criamos uma força-tarefa com equipes do Semae para remover o lodo dos tanques da ETAs Luiz de Queiroz. Dessa forma, a produção de água que em dezembro de 2024 era de apenas 350 litros por segundo, passou para 750 litros por segundo, a capacidade total, e resolvemos o problema que impactava o abastecimento para mais de 70 mil habitantes residentes em mais de 20 bairros da cidade.

Em nossa gestão, em menos de seis meses já foram investidos mais de R$ 30 milhões no Semae, valor que deve chegar a R$ 123 milhões até o final do ano. Entre as melhorias que já fizemos, estão obras de ampliação da ETA Capim Fino – que estavam praticamente paradas em dezembro/2024 – e foram retomadas em fevereiro de 2025, que vai ampliar a produção diária de água na unidade de 129,6 milhões de litros/dia para 172,8 milhões de litros/dia.

Também foi dado início às obras da adutora de água tratada com extensão de 4,1km beneficiando a população de Santa Teresinha, principalmente os bairros Parque Piracicaba e Boa Esperança, com investimento de R$ 5,6 milhões; contratada empresa para geofonamento (localização de vazamentos) e manutenção, com investimento de R$ 3,7 milhões; contratação de empresa para reparos de redes e ramais, otimizando o tempo de resposta para a execução dos reparos de vazamentos visíveis com a diminuição das perdas físicas de água, com investimento de R$ 11,18 milhões.

Foi iniciada a obra de construção da nova adutora de água tratada Capim Fino – Torre de TV e também da construção da Estação de Tratamento de Lodo (ETL) da Estação de Tratamento de Água (ETA) Anhumas. Investimento de R$ 3,6 milhões. Estas obras vão ampliar a capacidade de distribuição de água em mais de 35 milhões de litros/dia além de serem ambientalmente corretas, beneficiando mais de 97 mil piracicabanos em mais de 20 bairros na região Norte.

Cabe destacar o início das obras de setorização da rede de água da cidade para a instalação de 1.000 novos registros de pressão na rede, substituição de registros de manobra antigos e instalação de VRPs (Válvula Reguladora de Pressão) num investimento de R$ 9 milhões, beneficiando mais de 80 mil pessoas, principalmente, na região de Santa Teresinha. Com isso, quando a gente precisar realizar alguma manutenção, não vamos precisar parar o abastecimento de regiões inteiras, mas apenas de quarteirões.

Em breve, o Semae também vai iniciar obras de reforma e modernização da ETA Luiz de Queiroz, com investimentos previstos na ordem de R$ 9,65 milhões e a abertura de licitação para uma ETL na ETA Capim Fino, num investimento estimado na ordem de R$ 3,2 milhões.

Recentemente, o Semae anunciou a troca da rede e da adutora em Santa Teresinha. Pode explicar como essa obra será executada e de que forma isso vai ajudar a resolver o problema de falta de água na região?

Resposta – Será um grande avanço, já que a substituição será feita pelo Método Não Destrutivo (MND). Com ele, a substituição de tubulações enterradas será feita sem a necessidade de escavação, de abertura de grandes buracos que podem provocar grandes danos ao pavimento das vias, deixando, também, o trabalho mais dinâmico e ágil. Serão trocados 19,7 quilômetros de tubulação e redes e vamos investir R$ 28,5 milhões e beneficiar mais de 80 mil pessoas.

Na área da saúde, foram realizados vários mutirões. Quais especialidades já tiveram a fila zerada desde o início do ano?

Resposta – Na área da Saúde também avançamos muito. Conseguimos zerar as filas de cirurgia vascular, hematologia – hemoglobinopatias, e nefrologia e de exames, como ultrassonografia pélvica, endoscopia e mamografia. Nestes casos, os pacientes que antes esperavam meses para o agendamento, agora conseguem fazer o procedimento em menos de uma semana.
É importante destacar o trabalho focado na Saúde da Mulher, com a vinda de duas carretas de saúde, que ficaram instaladas na Estação da Paulista e em Santa Teresinha. Com essa ação, a redução da fila de espera para diversos exames foi de 74%, saindo de 24.967 procedimentos em janeiro deste ano, para 6.490 em julho. Vamos citar como exemplo a mamografia: executamos 96,5% dos exames, saindo de 5.520 para 193. Agora, a mulher que tiver de fazer o exame vai agendar em fazer em menos de uma semana. A fila para consulta em ginecologia foi reduzida em 74,4%, saindo de 8.369 para 2.145.
Outras especialidades que também se destacam são endoscopia, com redução de 98,5%, saindo de 1.437 para 22; ultrassom obstétrico, com queda de 92,5%, saindo de 3.615 para 271; cirurgia vascular com redução de 93,5%, saindo de 2.566 para 166; cirurgia geral em proctologia, queda de 88,7%, saindo de 2.250 para 255.

Ainda na área da saúde, está em andamento a descentralização do atendimento nas unidades de saúde. Como está sendo esse processo? As pessoas já estão conseguindo agendar exames diretamente em suas unidades?

Resposta – A ação está acontecendo. Os exames e especialidades que não são auditáveis foram descentralizados. Assim, a Unidade Básica de Saúde inclui o paciente na fila, a Central de Agendamento realiza o agendamento e devolve a informação para a unidade, que entra em contato com o paciente e este retira o comprovante de agendamento na própria unidade, perto de sua casa.

Agora, falando em desenvolvimento, a Prefeitura publicou dois editais para seleção de empresas que queiram se instalar ou expandir negócios na cidade. Um edital contempla 12 lotes e o outro, 3 áreas edificadas. Como funcionam essas seleções e qual o impacto que isso pode gerar para Piracicaba?

Resposta – Publicamos editais de seleção para empresas interessadas na implantação de unidades nos novos distritos industriais Nupei, Unisul e Uninordeste.  O objetivo é fomentar o desenvolvimento econômico e industrial do município, por meio da doação de áreas públicas. As áreas disponibilizarão aproximadamente 22 lotes para empresas interessadas em se instalar ou expandir suas atividades na cidade. O Unisul conta com 50 mil metros quadrados de área útil, distribuídos em cinco lotes. Já o Uninordeste possui uma área total de 110 mil metros quadrados, onde foram definidos cinco lotes, cada um com aproximadamente 15 mil metros quadrados. O Nupei, por sua vez, está localizado em uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados, organizados em 12 lotes menores.

A Pasta também abriu processo seletivo de doação de três áreas edificadas para empresas com planos de expansão ou instalação em Piracicaba. As áreas estão localizadas nos distritos Uninorte, Nupeme e Parque Automotivo e a iniciativa visa atrair e fixar novas empresas, estimulando a geração de empregos diretos e o crescimento da economia local.

Recentemente, a Prefeitura homologou licitação para um projeto de georreferenciamento na cidade. O que é esse projeto e quais resultados são esperados?

Resposta – O georreferenciamento vai auxiliar as secretarias nas consultas e no planejamento de ações a partir desses dados. Vamos conseguir saber exatamente como estão distribuídas as construções, os terrenos, as ruas e os equipamentos públicos, o que vai facilitar na hora de identificar onde é necessário construir, por exemplo, uma nova escola, uma unidade de saúde ou melhorar a iluminação. Também, a partir dessas informações, será possível gerar mapas temáticos, imagens de satélite, cartas topográficas, gráficos e tabelas. Assim vamos poder planejar melhor e atender melhor as necessidades de cada bairro e da sua população.

Quais avanços na questão da regularização fundiária e habitação a gestão tem realizado nesses seis primeiros meses?

Resposta – A regularização fundiária é uma prioridade da minha gestão, já que ela dá dignidade às pessoas por meio da segurança jurídica de seus imóveis. E os avanços na área são muitos. Já foram identificados 61 Núcleos Informais de Interesse Social (NIIS) consolidados dentro do marco legal e passíveis de regularização fundiária de interesse social.

Em abril de 2025, foi realizada a REURB-S do núcleo Jardim Maria Cláudia, com a emissão de 309 matrículas. Em julho, foi protocolado junto ao Cartório de Registro de Imóveis o processo de regularização do núcleo Jaraguá, contemplando 79 lotes.

Atualmente, 17 núcleos estão com processos em andamento: Jardim Conceição, Borguesi, Jardim Camargo I e II, Raposo Tavares, Abacateiro, Jardim Tóquio, Jardim Noêmia Ingá, Monte Líbano, Belvedere, Patriotas, Marques Cantinho II, Vera Cruz, Cantagalo, Maristela, Jardim Gilda e Nova Paulista. Esses núcleos totalizam 2.340 lotes.

Além disso, duas licitações já publicadas atenderão 14 núcleos: Portelinha, Pantanal, Pereirinha, Javary II, Araçá/Cajá, Elias Dumit,  Vila Bessy,  Domingos Soares de Barros, Jandira, Dona Anésia, Jardim Haiti – quadra A, Jardim Haiti – quadra B, Jardim Haiti – quadra C e Vila Fátima/Dona Luiza), somando 1.577 lotes. A abrimos mais um edital de licitação, abrangendo mais 14 núcleos: MAF – Jardim Esplanada, Santa Rosa, São José Enxofre, Vila Maria, Caiby, Precisão, Três Porquinhos, Sabiás I, Sabiás II, Jardim Planalto, Monte Everest, Nova Paulista (remanescente), Santo Antonio/Vitória, Arthur Madeira, Jardim Diamante, Jardim São Pedro, Nova Suissa e Frederico), beneficiando 1.815 famílias.

Paralelamente, a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária está trabalhando no levantamento socioeconômico de outros 14 núcleos: Noiva da Colina I, Noiva da Colina II, Parque Orlanda II – Jorge Anéfalos, Rua Laura Fernandes, Santa Rita, Chapadão 1, Chapadão 2, Chapadão 3 e Jardim Conceição 3, Jardim Conceição II, Nova Suissa II, Parque Orlanda II – Jose Petrin, Rua Cupuaçu, Rua do Enxofre e Santa Rita Garças, a fim de identificar a quantidade de famílias e viabilizar a regularização.

Dessa forma, a Secretaria está atuando em 61 núcleos, o que poderá resultar na regularização fundiária de 6.120 famílias — número que ainda poderá ser ampliado, considerando os levantamentos em andamento nesses últimos 14 núcleos.

Na nossa nova Lei Municipal de Regularização Fundiária (Lei Complementar nº 468/25), construída em diálogo com o Ministério Público e os Cartórios de Registro de Imóveis, aprovada pelo Conselho da Cidade, e devidamente aprovada pela Câmara, foram incluídas novidades visando desburocratização, entre elas a regularização fundiária do parcelamento ilegal, irregular ou clandestino do solo ser realizada por meio dos instrumentos jurídicos de: desmembramento, de loteamento, de loteamento de acesso controlado ou de condomínio de lotes; a possibilidade de obtenção da aprovação antecipada da regularização, com emissão do Certificado de Regularização Fundiária (CRF), mediante a apresentação de Termo de Compromisso de Obras (antes era exigida carta de fiança bancária ou seguro-garantia).

Publicamos também o Decreto nº 20.135/2025 – Justo valor – ou seja, moradores de núcleos regularizados pela Prefeitura que ainda não receberam suas matrículas por não se enquadrarem como população de baixa renda — ou seja, casos de Reurb-E inseridos em núcleos regularizados como Reurb-S — agora podem procurar a Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária para requerer o pagamento do justo valor e obter o direito à titulação do imóvel.

Os avanços são muitos e em muitas áreas, mas ainda há muito o que se fazer e vamos continuar trabalhando por Piracicaba.

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