Jose F. Höfling
Escandinávia e seus países como Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia…supostamente mais desenvolvidos e exemplos de respeitadores do meio ambiente que não colocam o lucro e a economia acima de tudo e do bem estar Social e Ambiental, de repente nos surpreendem com ações aviltantes contra os Oceanos e o meio ambiente. A Noruega quer permitir que “maquinas gigantes” rasguem o fundo do oceano no ártico, vandalizando um dos últimos lugares intocados do nosso planeta e destruindo áreas importantes para baleias e inúmeras outras espécies.
Isso se chama “mineração em águas profundas”, e há necessidade de impedi-la antes que comece, se informando e fazendo tudo o que é possível e está ao nosso alcance, protegendo ao mesmo tempo uma área no fundo do mar do tamanho do Estado de São Paulo e fortalecendo o apelo global para a proibição da mineração em águas profundas em todo o mundo. Imagine esses “monstros gigantes” rasgando o fundo dos nossos oceanos. Este país quer fazer exatamente isso, permitir que perigosas máquinas de mineração estejam no fundo do mar sem qualquer teste… felizmente a principal comissão parlamentar do país está discutindo este assunto, no entanto, tudo pode acontecer. Os escandinavos, de modo geral, se preocupam com a sua imagem no mundo e não costumam ser alvo da “pressão global”. Se os demais países se juntarem aos cidadãos locais que já estão indo às ruas, poderão contribuir para impedir que esse plano monstruoso não se concretize.
É preciso dificultar que este plano venha a acontecer, mas a atitude dos países e seres humanos conscientes deve ir muito além disso…O mundo pode estar decidindo se deve começar a destruir o fundo do oceano à semelhança do que temos feito com nossas montanhas, rios e florestas na superfície. Imagine se ainda houvesse uma chance de acabar com a busca por combustíveis fósseis antes do nosso planeta ser queimado, perfurado, explorado e poluído até a beira da catástrofe. Estamos exatamente nesse ponto em relação aos nossos oceanos! Felizmente muitos países tem se expressado em relação ao assunto no sentido de “proibir” ou dar uma “pausa” em relação a esse tipo de mineração em águas profundas, no sentido de que haja um tempo maior de reflexão e discussão a respeito desse tipo de mineração oceânica. Até mesmo algumas empresas privadas estão se manifestando e se unindo àqueles que desejam impedir ou minimizar este fato, que se coloca como uma ameaça aos oceanos e consequentemente ao nosso planeta.
Quanto mais pudermos contribuir para transformar esse importante assunto, a mineração em águas profundas, numa questão internacional, maiores serão as chances de a proposta ser barrada e rejeitada…Nosso conhecimento e entendimento de que tal assunto é de extrema importância para o cuidado com o nosso planeta, maior será a nossa chance de estar juntos e apoiar os países que estão comprometidos com a proteção de nossos oceanos e nos “opor” a políticos que querem explorar águas ainda não testadas, cujo ensejo sempre é o lucro de empresas que não tem a menor consciência em relação ao meio ambiente e à saúde de nosso lindo planeta, a nossa única e desejada casa.
Nós que amamos os oceanos e a vida marinha, assim como entidades não governamentais de apoio ao planeta, de modo geral, já tivemos a chance de apoiar algumas das maiores reservas marinhas da história, como o caso da baleia azul que estava perto da extinção, milhões de seres humanos conscientes e desejosos de manter a vida marinha deste planeta, foram capazes de convencer a Europa a fechar seus portos a baleeiros.
Mais uma vez estamos diante de um grande desafio da mineração em águas profundas, na tentativa de proteger nossos oceanos e seus incríveis animais de mais uma ameaça: a destruição irreversível de seu habitat que atravessará gerações. Muitos de nós não estaremos mais neste planeta, mas nossos filhos e netos estarão. Colocar a vida no centro de cada decisão que tomamos; o amanhã depende de nossas ações hoje.
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Jose F. Höfling, biólogo/Unicamp