O “corredor asiático” da indústria automobilística no interior paulista

Barjas Negri

A partir de 1970 vamos assistir a um intenso processo de desconcentração industrial da Região Metropolitana de São Paulo em direção do interior paulista. Em 1970 o interior detinha 25,5% da produção industrial do Estado, que passa para 43,5% em 1985 e, para 50,6% em 1998. Boa parte desse processo está retratada em minha tese de doutorado “Concentração e Desconcentração Industrial em São Paulo (1880-1990)”, publicada pela Editora da Unicamp.
Esse processo sempre foi muito dinâmico, com atração inicial de muitas empresas para futuras Regiões Metropolitanas de Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e chegou a Piracicaba, cada uma atraindo investimentos de acordo com a sua especificidade.
De forma surpreendente, o berço da indústria automobilística brasileira concentrada no ABC Paulista vai perdendo sua dinâmica para outros estados e, principalmente, para o interior paulista. Não deixa de chamar a atenção a agressividade competitiva das empresas asiáticas do Japão, Coreia do Sul e da China, que escolhem cidades paulista interioranas como berço de suas expansões no Brasil, mais incisivamente a partir dos anos 1990.
Os elevados investimentos dessas empresas, com grande produção de automóveis e geração de empregos, vão ocorrer em poucos municípios do interior paulista, a partir dos governos estaduais de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. A japonesa Honda, por exemplo, instala-se em Sumaré em 1997; a montadora também japonesa Toyota vai para Indaiatuba (1998), e a sul-coreana Hyundai vem para Piracicaba (2012). Mas a Toyota investe numa segunda unidade em Sorocaba (2012) e, ainda, numa fábrica de motores em Porto Feliz (2019). Por sua vez, a Honda implanta uma segunda unidade em Itirapina (2019) e a Hyundai constrói a sua f ábrica de motores em Piracicaba (2022).
Esses investimentos vieram acompanhados da atração de empresas médio e pequeno portes, fornecedoras de peças e acessórios para o setor automobilístico regional, contribuindo para a geração direta de milhares de novos empregos. Em Piracicaba, por exemplo, foi criado na nossa gestão como prefeito o Parque Automotivo para abrigar a Hyundai e, muito perto, um distrito industrial para as suas fornecedoras.
Agora, a empresa chinesa Great Wall Motors (GWM) adquire as instalações da Mercedes Benz em Iracemápolis, e começa a implantar uma grande unidade automobilística na nossa região. Assim consolida-se no interior paulista um verdadeiro “corredor asiático” do setor automotivo, com forte concentração nas Regiões Metropolitanas de Campinas, Sorocaba e Piracicaba. O território fortemente agropecuário há 50 anos transformou-se num dinâmico e moderno parque automotivo, com predominância de empresas asiáticas.
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Barjas Negri, prefeito de Piracicaba por três gestões

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