
O projeto de pesquisa e artes integradas “Ciaporã: da Casa do Povoador à Lagoa das Almas” realiza hoje, a partir das 19h, na Sala 1 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto, a última exibição da videodança da iniciativa. A apresentação será seguida por uma roda de conversa com a equipe do projeto. A entrada é gratuita.
Com 13 minutos, o material audiovisual intitulado “Ciaporã” foi captado por Edson Figueroa, que também fez a direção de fotografia. A edição de imagens é de Bruna Epiphanio.
O projeto foi idealizado por Carolina Moya e Julia Giannetti como forma de dar prosseguimento às pesquisas que deram origem ao projeto “Outras Margens do Rio”, criado pelas mesmas profissionais. A iniciativa é apoiada pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, nº 14.017/2020, com realização do Governo Federal, Prefeitura de Piracicaba e Secretaria Municipal da Ação Cultural e Turismo.
“Nossa videodança traz essa relação com a memória dos povos indígenas de Piracicaba, uma história que pouca gente conhece. É muito importante a gente valorizar essa cultura que compõem, além do nome da cidade, muitos hábitos e instintos nossos”, diz Julia Giannetti.
“Esse é um trabalho muito caro para nós, pois retrata esse processo de invisibilização da nossa ancestralidade originária indígena, ao desconsiderar os povos que habitaram a nossa região antes da invasão europeia”, afirma Carolina Moya.
A videodança dialoga com as performances do projeto, realizadas no Espaço Pipa (Associação Síndrome de Down), na Casa do Povoador, no Monte Alegre e no Parque do Mirante.
As performances, que reuniram dança, música e vídeo, exploraram a temática dos povos antigos da região, tendo como ênfase o embate entre o colonizador e o colonizado, e o conceito de “Espírito do Lugar”, de viver às margens do rio que corta a cidade.
LUA BONITA – Ciaporã, em guarani, quer dizer “lua bonita”, aquela refletida nas águas. Nome aludido pelo antropólogo urbano, Arlindo Stefani, a uma área da cidade, nos arredores do Engenho Central, que é conhecida como Lagoa das Almas, devido à sua relação sagrada com povos negros escravizados.
O termo Ciaporã aparece na realização do diagnóstico de Arlindo para o projeto Beira Rio, em busca do “Espírito do Lugar” e da criação de políticas públicas que levassem em conta esse espírito, o rio e os habitantes da cidade.
Além das idealizadoras, também participa das performances o músico Ben Trevis, responsável pela sonorização das apresentações, por meio da utilização de guitarras e instrumentos de percussão.
SERVIÇO – Última exibição da Videodança Ciaporã, seguida de roda de conversa com a equipe. Hoje, às 19h, na Sala 1 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto. Entrada gratuita. Mais informações: @outrasmargensdorio (Instagram).