José Osmir Bertazzoni
Pessoas embebidas de orgulho e vaidades (soberbas) sentem-se acima da verdade e superiores a Deus, confrontam ideários para acreditar em suas próprias mentiras, esquecem o passado, pois se acomodam com o presente — que também será passado em breve.
Deus, quando criou a terra, preocupou-se com muitos detalhes, entre eles fazê-la redonda, não deixando canto para ninguém se esconder ou se enroscar. Logo, todos nós temos de conhecer de onde viemos e para onde vamos, visto que o presente é passageiro, acontece rapidamente e instantaneamente se torna passado.
Não há vida infinita, nada que dure para sempre, somos uma espécie (humanos) dotada de inteligência e articulações entre os membros exteriores (mãos, braços, pés, pernas, etc.) importantes para nossas tarefas diárias. Os homens são sempre diferentes, alguns são mais altos, outros mais gordos, outros mais lépidos e muitos dotados de inteligência, conquanto, poucos dotados de inteligência emocional.
A verborragia é uma das formas simples de conhecer a identidade daqueles que não conseguem se ativer à ação cautelosa e defender pela argumentação o que desejam expor, vão logo inserindo em suas palavras o que gostariam que fosse verdadeiro, conquanto, sem dar tempo para a maturação das emoções e para a identificação da verdade. Essas pessoas vão envelhecendo e cada vez fica mais confiante no “eu”, esquecem toda a travessia… Assim como uma mula em disparada, com os “tapas” nos olhos, enxergam somente o que está pela frente, o que desejam enxergar — as demais coisas importantes vão ficando para trás, como se não fossem mais necessárias ou fossem menos importantes.
Ledo e lamentável cilada na natureza humana, que, sem sombras de dúvidas, trará suas consequências quando “sucumbir o deserto do ser” e tudo que ficou para trás tornar-se novamente necessário.
Poderíamos dedicar nossas preocupações sentindo no nosso entorno coisas simples, fugindo e renunciando a soberba, abominarmos conviver com a “síndrome de o pequeno poder”. Precisamos ver da nossa Aldeia como é a vida diante dos nossos olhos.
Alberto Caeiro da Silva, heterônimo de Fernando Pessoa, ingenuamente. nos obriga a ver nossa aldeia:
Da minha Aldeia
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…
(…)
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.”
(…)
Nesta resenha poética, magnificamente sentimos a importância da nossa Aldeia — precisamos enxergar a floresta como um todo e não focarmos nossa visão somente em uma árvore — pois, a vista se amplia na “casa no cimo deste outeiro”, na minha Aldeia onde a visão se amplia ao horizonte infinito e nas “cidades grande se fecham a vista à chave”. Como em um silogismo nos remete ao desfecho: “E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.”
Peço vênia aos leitores que me acompanham, pois, como sabido, em meus textos críticos não é reservado espaço à poesia, como faço agora, e, por consequência, vejo quão bela é a vida quando nos deparamos com a reflexão da literatura. Mas a filosofia do saber é moldada assim como uma lâmina de espada, primeiro se aquece o aço bruto ao Brasil — Estado de incandescência, em brasa… — depois malha-o até dar-lhe seu formato, ao final, descansa-o até que suas moléculas endureçam para ser mais forte, mais flexível e mais durável.
Nossa vida neste grande planeta, somos dotados de um indicador de tempo e distância nos lóbulos cerebral, falta-nos apenas saber quando usar para reflexionar onde estamos, quem somos e para onde desejamos ir. Indica-nos também o momento acelerar, parar, retroceder ou mudar de direção.
Aos sábios nada é difícil, porém nem tudo é possível, razão pela qual escrevo esse texto no sentido de firmar minhas próprias convicções sobre quem sou e sugerir que cada leitor se liberte para as suas.
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José Osmir Bertazzoni, jornalista, advogado