Ronaldo Almeida
No último final de semana, Piracicaba foi marcada por atividades alusivas ao Dia da Consciência Negra, com participação oficial da Câmara Municipal e Prefeitura Municipal. Neste final de semana, ainda acontecem várias atividades sobre o mesmo tema, porém quero ater-me aos eventos oficiais da cidade.
No sábado (20), na parte da manhã, a Irmandade do Quilombo Corumbataí com a participação da Câmara Municipal e no domingo dia 21 no Teatro do Engenho a sessão solene da Câmara Municipal, com a presença do prefeito, e que se registre a deselegância do Sr. Luciano Almeida ao chegar depois da tradicional missa afro, finalizada.
Alguns dias antes dessa data, questionei pelo perfil das redes sociais a Irmandade do Quilombo Corumbataí, parabenizei-os pela programação, mas como puderam esquecer das religiões das matrizes africanas e a resposta que recebi é que estariam a avaliar como seriam as atividades deste ano para, depois então, creio eu, colocar a participação das religiões de matriz africanas nestas atividades oficiais do município.
Na sessão solene da Câmara Municipal, então mais grave, estava presente por conta de um filho de fé da nossa Comunidade de Umbanda, era um dos homenageados, também nenhuma programação com as religiões de matrizes africanas. Passou da hora do poder público começar a se preocupar com esses “pequenos” detalhes. Quando se inaugura uma escola pública, por exemplo, é muito comum ter um Padre para abençoar o prédio público, hoje em dia podemos ver um Padre e um Pastor evangélico, e, porque não também, um sacerdote de Matriz Africana, seja ela a Umbanda ou o Candomblé. Afinal de contas, existem alunos, católicos, evangélicos, budistas, ainda alunos que não tem religião nenhuma.
Da mesma forma dessas atividades oficiais do município, existem em Piracicaba hoje leis que garantem atividades que devem ser organizadas pelo povo de Axé, mas não basta.
Na sessão solene ocorrida no Engenho Central, durante a sessão, foi apresentado o hino da Negritude que inclusive é feito uma louvação aos Orixás. Por que não ter uma apresentação de um templo de matriz africana, assim como faz a Pastoral Afro com a Missa Afro?
Com esse texto, espero que os Poderes Legislativo e Executivo piracicabanos se conscientizem de envolver as religiões de matriz africana nos seus eventos oficiais, já passou da hora.
Piracicaba conta com centenas de templos de matriz africana, cidadãos e cidadãs que pagam os seus impostos, assim como qualquer outro.
Axé para quem é de Axé.
Axé para todo o mundo, Axé.
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Ronaldo Almeida Sango, religioso de matriz africana