Sete de Setembro

Paulo Nardino

 

07 de setembro de 1822, Dom Pedro I, segundo a história as margens do Rio Ipiranga daria o famoso grito “Independência ou morte”. Neste 07 de setembro de 2021, o Brasil nos autos dos seus 521 anos, ainda carece de muitos gritos de independência, o clamor popular por manifestações de rua, pró e contra o governo, me parecem estar extremante contaminados por paixões politicas eleitoreiras, com pautas egocêntricas, que buscam o culto a persona, e se esquecem dos reais problemas do nosso País. Observo de forma clara, objetiva que não pretendo apoiar nenhum lado em relação a manifestações, entendo que todas são legitimas validas de direito, diante do nosso Estado Democrático. Todavia desejo analisar que o Brasil tem pautas importantes e urgentes, que precisamos discutir, na busca do bem comum, questões que deveriam estar acima das nossas ideologias político partidárias por exemplo:

Com mais de 14 milhões de desempregados (fonte IBGE), vemos cada dia mais, como dependemos, de uma política econômica que gere emprego e renda a população, empregos formais com carteira assinada, que proporcione ao trabalhador, pai de família condições dignas para manter sua casa, tendo o mínimo suficiente para viver.

Nossa educação básica, após dois anos de recesso devido a pandeia da covd-19, que já era fragilizada, esta em frangalhos; vale lembrar que as ultimas grandes manifestações de rua que o Brasil vivencio, tiveram como uma das pautas originárias, o centavos no aumento das passagem de ônibus, aquela seria a porta de entrada para a derrubada da então presidente Dilma Rousseff. Com a infração galopante, a população sente na pele os reflexos do aumento de produtos indispensáveis no cotidiano de todos nos, para exemplificar, temos os combustíveis e a carne bovina, que tem assustado o consumidor com aumentos consecutivos.

Nossa educação é outro grande desafio, estamos a quase dois anos sem aulas presenciais, isso terá serias consequências para as gerações futuras, alunos saindo do ensino médio sem o mínimo de conhecimento para a vida adulta, o Enem dos últimos anos, sempre encontrando dificuldades para ser realizado, a ausência de valorização na educação básica é alarmante, precisamos urgentemente repensar o modelo de investimento nesta área, preparar nossa crianças na base, para serem qualificadas e terem esperança e sonhos em uma vida melhor.

Na saúde, enfrentamos a maior crise da historia mundial, e vimos nossos hospitais já colapsados a décadas, chegarem ao seu limite, ficou evidente os esforços incansáveis dos profissionais de saúde em todos o Brasil, que não mediram esforços para socorrer a população, tudo que nos cidadãos comuns pudemos fazer foi agradecer, eu mesmo em um gesto simbólico visitei todos os hospitais e UPAS de Piracicaba entregado a todos os profissionais de saúde, uma carta e um bombom, algo simples que visava demostrar nossa empatia por eles.

Honestamente, acredito, que estas deveriam ser as pautas principais das manifestações do povo brasileiro, me parece que não há indignação com tais questões para o desenvolvimento do país. Ao falar de economia popular, saúde, educação temo ser interpretado como mais um que fala mais do mesmo; vivemos um momento onde falar de situações fundamentais do dia a dia, tem sido interpretado como ausência de autenticidade ou até demagogia política. Todavia a sociedade pelo advento das redes sociais, tem confundido autenticada com excentricidade, alimentando o ódio e dividindo a nação.

“A escuridão não pode expulsar a escuridão; apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar ódio; só o amor pode fazer isso.” Martin Luther King Jr.

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Paulo Nardino, advogado

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