Natalia Mondoni
Na minha experiência profissional, eu tenho a oportunidade de conversar com muitas pessoas. Ouvir muitas histórias. A dor, o sofrimento, e a maneira muitas vezes problemática com que as pessoas lidam com os fatos e as situações da vida são, de maneira geral, as coisas que mais as levam para a terapia. Então, este processo de transformação começa a acontecer, passando pelo entendimento, escuta e evolução. E, dentro dessas queixas, o que mais desejamos como é resolver os problemas, as situações, deixar a vida melhor. Mas, muitas vezes, vemos que as mudanças são exatamente as coisas mais difíceis de serem manejadas. Por quê?
É inegável que em um processo de terapia tocamos em muitos aspectos, e, principalmente, na percepção que temos de nossos valores e visão de mundo – isso, muitas vezes construído por anos a fio dentro de determinadas limitações – e, na terapia, aprendemos a considerar toda e qualquer possibilidade: olhamos para novas perspectivas, entendemos novos lados, apontamos novas soluções, refletimos sobre o que foi e o que pode ser. Além, claro, de olharmos as pessoas e tudo o que elas representam em nós – inclusive, nós mesmos.
Porém, obviamente quando tocamos em aspectos tão significativos, é interessante notar o quanto nos sentimos desconfortáveis: mesmo aquilo que me causava dor, mesmo aquilo que me trazia sofrimento, mesmo aquilo que eu reclamava, era algo conhecido: era como pisar em um solo que já foi pisado muitas e muitas vezes. Caminhos tortuosos, porém, sabidos. Quando nos atrevemos a questionar e pensar em outras possibilidades, é como se alguém tivesse invertido o sentido de determinada rua. É passar diante de coisas que me trazem certo estranhamento. Então, as possibilidades podem parecer piores do que o sofrimento que tanto reclamávamos. E é aí que entendemos como é tão difícil mudar realmente.
Cabe, então, citar um exemplo que vi por esses dias em um livro: o processo de terapia se assemelha a quando vamos passar por uma fisioterapia. Poderá ser um processo de dor, de dificuldade, parecendo até que estamos sofrendo mais enquanto estamos lá, mas, se houver uma abertura, nem que seja uma única fresta para entrarem as possibilidades, e se houver dedicação em pensar sobre elas, com certeza teremos uma vida com mais qualidade.
Portanto, que tenhamos esta coragem de realmente considerar as possibilidades, de sair do que conhecemos, de não ter medo de tentar. De percorrer novos rumos. Muitas vezes, quando nos arriscamos a dar esses passos, é exatamente o que precisamos para alterar o rumo das nossas histórias. Para o novo. Para o melhor. Daqui a pouco trocaremos de estação: Primavera, a estação das flores. Que floresça em nós essa vontade de ir em frente e colher frutos.
Com carinho,
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Natalia Mondoni , psicóloga