Carolina Angelelli
Estreio essa coluna com alegria, é uma honra atuar neste histórico jornal. E para iniciar, não poderia deixar de falar de Educação, não é mesmo? Este é o tema mais tocante para nós nacionalistas.
“A Educação não é cara, cara é a ignorância”. Essa era a frase que Leonel Brizola mais repetia, ele foi o único político brasileiro que governou 2 Estados brasileiros.
Legado do passado
Enquanto governou o Rio Grande do Sul, ele multiplicou as salas de aula, criando uma rede de ensino primário e médio que atingiu os municípios mais distantes, inclusive nas zonas do pampa de baixa densidade populacional. Criando 5.902 escolas primárias, 278 escolas técnicas e 131 ginásios, colégios e escolas normais, totalizando 6.302 novos estabelecimentos de ensino. Abriu 688.209 novas matrículas e admitiu 42.153 novos professores.
Como Governador do Rio de Janeiro
Enquanto governador do Rio de Janeiro, Brizola construiu mais de 500 escolas chamadas de Centros Integrados de Educação Pública e popularmente apelidados de Brizolões ou CIEP’s. As escolas tiveram o projeto educacional de autoria do antropólogo Darcy Ribeiro, que as considerava “uma revolução na educação pública do País” e tiveram o projeto arquitetônico dos edifícios de autoria de Oscar Niemeyer.
Mas, vocês querem saber do presente, não é mesmo?
O Ceará segue ocupando os melhores lugares entre as escolas públicas do Brasil no ensino fundamental, das 100 melhores instituições públicas de anos iniciais do Brasil, 82 estão no Ceará. O dado tem como base o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb.
E no Estado de São Paulo?
O Ceará é o segundo Estado do Brasil com maior número de escolas – 21 no total – de ensino médio (públicas estaduais) melhores classificadas, em 2019, pelo Ideb, atrás somente de São Paulo, com 83. Em seguida está Pernambuco, com sete, e empatados, com quatro escolas, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O Ministério da Educação
Há pouco mais de 1 ano no comando do Ministério da Educação – MEC, o teólogo Milton Ribeiro é o quarto titular do MEC no governo do presidente Jair Bolsonaro.
Quem é ele?
Ribeiro, foi nomeado para substituir Abraham Weintraub – ministro que chegou a ser condenado pela Justiça após dizer que universidades “fabricam drogas e cultivam maconha”.
Ao tomar posse, parecia seguir um perfil menos “barulhento” que seu antecessor: em julho de 2020, aos 62 anos, ele fez um discurso de posse em que se comprometeu a seguir o “Estado laico” e a manter “grande diálogo com acadêmicos e educadores”.
Colecionador de polêmicas
Com o tempo, no entanto, proferiu declarações que geraram críticas de organizações sociais e autoridades, tais como:
1- Universidades ‘para poucos’
Em 9 de agosto de 2021, Ribeiro declarou à TV Brasil que a “universidade deveria, na verdade, ser para poucos, nesse sentido de ser útil à sociedade”.
2- Algumas crianças com deficiência são de ‘impossível convivência’
Na mesma entrevista à TV Brasil, em 9 de agosto, Ribeiro afirmou que, quando um aluno com deficiência é incluído em salas de aula comuns, ele não aprende e ainda “atrapalha” a aprendizagem dos colegas.
Após repercussão negativa, o ministro tentou se justificar, mas proferiu outra frase considerada ofensiva.
3- Gays ‘vêm de famílias desajustadas’
Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, publicada em 24 de setembro de 2020, o ministro foi questionado sobre a importância da educação sexual na sala de aula. Ele disse que é importante mostrar “que há tolerância”, mas que “o adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo [termo considerado preconceituoso]” vem, algumas vezes, de “famílias desajustadas”.
Para o ministro, discussões sobre gênero não deveriam ocorrer na escola.
4- Crítica a ‘questões de cunho ideológico’ do Enem e desejo de intervenção
Em 3 de junho de 2021, à CNN Brasil, Milton Ribeiro criticou o conteúdo cobrado em edições anteriores do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ele citou uma pergunta sobre a diferença salarial entre os jogadores Neymar e Marta, e outra que aborda questões sobre a população LGBTQIA+.
5- Defesa de remédios ineficazes contra a Covid-19
Quatro dias depois de sua posse, Ribeiro anunciou que estava com Covid-19 e que trabalharia remotamente. Enquanto se tratava, declarou nas redes sociais que usava azitromicina, ivermectina e cloroquina. Afirmou que notou “diferença pra melhor de um dia pra outro”.
Quais as intenções?
Para muitos especialistas, o MEC está perdido em pautas menores, em vez de utilizar seu corpo técnico de qualidade em prol de apoio aos Estados e municípios na pandemia. Alguns ainda acrescentam que Ribeiro está reacendendo pautas ideológicas para ganhar apoio da militância bolsonarista e garantir que ficará no cargo até o ano que vem.
Verdadeira atuação
Graças às suas falas polêmicas, a Câmara Municipal do Recife aprovou com maioria dos votos dos/as parlamentares, Moção de Repúdio ao Ministro da Educação, Milton Ribeiro.
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Festa estranha
Piracicabanos participaram, no último final de semana, de um grande encontro regional com o Ministro da Educação, inclusive desfilaram com publicações e selfies nas redes sociais.
Coragem pra falar
Em recente artigo publicado em 23 de julho deste ano e neste digno jornal, a deputada estadual Piracicabana, professora Bebel, citou: “Sob seu comando, o Ministério da Educação tem sido absolutamente omisso em tudo o que diz respeito à defesa do direito à vida dos brasileiros e brasileiras. Nesse momento está em férias, enquanto o país se vê às voltas com variantes altamente contagiosas do novo coronavírus e ultrapassa a marca de 545 mil mortos pela covid 19.”
E eu, pessoalmente, não consigo discordar da professora!
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Carolina Angelelli, bacharel em Direito, presidente do Diretório do PDT em Piracicaba