Edvaldo Brito
O que a esquerda aprende, desde muito cedo, na tenra infância, e que a direita não aprendeu até hoje ou ainda não abriu os olhos, são noções simples, esquemáticas ao extremo para os olhos dos menos atentos, mas verdadeiras e que funcionam desde há muito tempo. Alguns da direita aprendem, quando cedo, depois dos 90 anos de idade. Apesar de necessitar de aperfeiçoamento, pelo menos a noção como um todo, se faz necessária: a noção de infraestrutura e superinfraestrutura.
A sociedade no geral é dividida entre estas duas partes, infraestrutura: que é a organização econômica e o esquema do poder armado, ou seja, quem tem o dinheiro e quem tem as armas, e acima disso a superestrutura, composta por: a mídia, a circulação das ideias, estrutura jurídica, legislativa e política eleitoral. Toda a esquerda sabe que a parte decisiva é a infraestrutura, sendo o resto apenas uma perfumaria. Já o pessoal da direita só liga para o resto, ou seja, a perfumaria, deixando totalmente de lado a infraestrutura. Por exemplo: a formação da classe universitária, ou seja, a formação da classe política, o fundamento da classe política, mas veja, não tem nenhuma relação com atividade parlamentar, a atividade parlamentar já é o topo da cadeia; o ápice; mas o ápice sem uma base não se sustenta, é como estar suspenso no ar como um balão, sujeito às mudanças de direção dos ventos. É infinitamente melhor você dominar um sindicato de trabalhadores do que eleger um senador, por exemplo. Quando a direita entenderá que dominar uma escola, de onde sairão os futuros políticos, é muito mais importante do que votar nesse ou naquele político?
Eleição de presidente apenas, ao qual apoiei, apoio e apoiarei, desde que não se desvie dos preceitos fundamentais que sustentam nossa sociedade, não resolve coisa alguma, estamos vendo isso atualmente, diante de nossos olhos, pois ele não tem a infraestrutura necessária para tal, essa sim, montada pela esquerda. Nenhum presidente converterá, de cima para baixo, toda uma estrutura que foi estabelecida para que ele não chegasse lá, e mesmo chegando, de nada poderia fazer.
Ou seja, aquilo onde a direita acha que estão seus objetivos de mudança é onde a esquerda entende que não é nada. Movimentos de direita são muito importantes, precisam existir, ainda mais em um Brasil onde só existe esquerda, porém hoje estes movimentos estão competindo em um espectro tão profundo quanto uma piscina infantil, sem profundidade alguma, ficando apenas no superficial, ou seja, com cargo, mas sem poder. Qualquer chefe de tráfico, nos confins do Brasil, tem mais poder que o presidente da República. Eleger pessoas não é dar poder para elas, é apenas inseri-las no esquema de poder, que já está dominado pela esquerda. Zero importância. Mais importante do que isso é quem é o presidente do sindicado, do clube, quem é o presidente da associação de moradores, quem é o pastor da igreja, é isso que interessa e não picuinhas entre iguais de quem será o próximo candidato, quem é o representante do político da moda na cidade. Cargos eletivos são o adorno da sociedade constituída e todos só querem atuar nesse espectro.
O ego, o fascínio pelo aparato jurídico eleitoral, pois coincide com suas ambições políticas, assim como a ascensão na vida social. Você quer derrotar o comunismo ou ascender na vida social? Pessoas preocupadas com a opinião alheia desviam do principal objetivo, que é a ocupação dos espaços. Enfim, a luta na infraestrutura não é pública, é anônima; não tem holofote, é discreta; é o tão conhecido trabalho de formiguinha, mas é o trabalho fundamental. Como diria Ronald Reagan “Você pode conquistar qualquer coisa na vida, desde que não se importe com quem fique com os créditos.”
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Edvaldo Brito, jornalista